Venda de carros garantiu acordo com montadoras

Os recordes de produção e vendas de veículos no Brasil se transformaram na principal aliada dos metalúrgicos para a conquista do acordo histórico com as montadoras do ABC paulista. Eles conquistaram 6,25% de aumento real de salário mais reposição da inflação de 4,29%, recorde para a categoria.

, O Estado de S.Paulo

26 de setembro de 2010 | 00h00

Foram dois meses de negociações tensas e difíceis, em que as montadoras resistiram às reivindicações dos sindicalistas. Sob ameaça de greve, porém, tiveram de jogar a toalha para não correr risco de perder mercado.

"É muito pequeno o fôlego que as montadoras têm hoje se a fábrica for à greve", diz o presidente do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC, Sérgio Nobre. "Basta perder um ou dois dias de produção para o concorrente ocupar o lugar no mercado."

Para Nobre prevaleceu o bom- senso. Tanto que o acordo foi fechado sem grandes prejuízos. Houve manifestações, paradas de uma ou duas horas, mas nenhuma greve significativa. "Como dizia um estrategista chinês, é preciso ter um exército forte não para fazer a guerra, mas para assegurar a paz", cita o sindicalista, referindo-se a Sun Tzu, que escreveu "A arte da guerra".

Sergio Nobre argumenta ainda que os ganhos de produtividade permitem o aumento de salários sem pressão nos custos. Em 2003, cada trabalhador produzia 24 carros por ano. Hoje, são 31 carros por trabalhador.

"A produtividade cresceu 34% nesse período, bem acima do aumento real dos salários", afirma o sindicalista.

Sem pressão inflacionária. De forma geral, a indústria brasileira como um todo se fortaleceu e ganhou produtividade, durante e depois da crise. No período de 12 meses terminado em julho, o ganho de eficiência foi de 8,4%, em média.

Aumento de produtividade significa que o custo de produção diminuiu nas fábricas. Isso permite que o setor absorva melhor aumentos de custo de todos os tipos, incluindo o de salários, além de abrir espaço para queda de preços e aumento da competitividade do produto brasileiro. No entanto, o fôlego extra varia de setor para setor e de empresa para empresa.

"De forma geral, se o trabalhador está produzindo mais por hora paga, as empresas podem absorver o aumento de preços sem pressionar os preços", diz o economista-chefe do Iedi, Rogério César de Souza.

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