Venda de carros importados cai 46,1%

Segundo importadores, que falam em ano desastroso, dólar alto e IPI foram responsáveis por fazer de novembro pior mês do ano

GUSTAVO PORTO, LUIS LIMA, O Estado de S.Paulo

13 de dezembro de 2012 | 02h07

A venda de veículos importados atingiu 8.137 unidades em novembro deste ano, o que representa uma queda de 46,1% na comparação com igual mês do ano passado, quando foram comercializadas 15.098 unidades. Em relação a outubro deste ano, quando foram vendidos 9.032 veículos, as vendas recuaram 9,9%. Os dados foram divulgados pela Associação Brasileira das Empresas Importadoras de Veículos Automotores (Abeiva).

De janeiro a novembro, as vendas de veículos importados recuaram 33,5% em relação a igual período de 2011, para 119.896 unidades.

"Novembro se apresentou como o pior mês do ano para as associadas à Abeiva. Além disso, o setor registrou a décima queda consecutiva de vendas. A situação oficial de importação é extremamente grave", lamentou, em nota, o presidente da Abeiva, Flavio Padovan. A entidade estimou ainda que 2012 deve encerrar com uma queda de 35% a 38% nas vendas ante 2011.

Segundo a Abeiva, 150 mil veículos importados pelas associadas serão comercializados no Brasil em 2013, alta de 17% sobre as 128 mil unidades do fechamento previsto para este ano. Segundo o presidente da entidade, Flavio Padovan, apesar da alta sobre 2012 o mercado em 2013 ainda terá uma queda de 25% sobre o recorde de vendas do setor, em 2010, quando 199.366 veículos importados foram emplacados.

"Será uma recuperação de 17% sobre um ano de 2012 que foi completamente desastroso para nós. É uma parcial recuperação e não é um crescimento", disse. Segundo ele, a queda nas vendas em 2012 ocorreu basicamente pela alta de 30 pontos porcentuais no IPI, para os importados, bem como pela valorização do dólar: "A criação da cota anual de 4.800 unidades com o IPI reduzido em 30 pontos ajudará no crescimento, mas não chegaremos ao desempenho de 2010".

Alíquota do IPI. No entanto, os importadores reclamam da dificuldade de trazer para o País veículos dentro dessa cota com alíquota do IPI reduzida ainda em 2012, de acordo com as regras do Inovar-Auto, o novo regime automotivo. Eles dizem que teriam um volume de veículos correspondente a três meses da cota anual de 4.800 unidades com cota diferenciada, ou seja, cerca de 1.200 veículos. "O governo acenou com a possibilidade de ter a cota a partir do protocolo pela habilitação", disse Padovan.

Segundo o presidente da Abeiva, por causa da concentração de pedidos de montadoras para a habilitação ao Inovar-Auto, os importadores encontram dificuldades para a aprovação da utilização da cota no Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior. "Pelo prazo disponível, não vamos nos beneficiar das cotas proporcionais e necessitamos de mais agilidade para não sermos penalizados em 2013", completou.

Já o presidente da Kia Motors do Brasil, José Luiz Gandini, maior importadora do País e, consequentemente, a mais atingida pelas cotas aos importados, avalia que 2013 será pior para a companhia, que apresentou uma queda de 46% nas vendas em 2012, para estimados 43 mil carros. Segundo Grandini, cerca de 40 mil unidades da marca serão vendidas no próximo ano no País: "Além da alta do IPI, tivemos aumento de 11% no dólar."

Gandini afirmou ainda que não protocolou o pedido para que a Kia seja enquadrada no Inovar-Auto, por ter a garantia de que conseguirá cumprir a meta de melhorar em 12% a eficiência energética em 2017.

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