Venda de carteira podre evita alta do calote no Santander

Repasse de operação de R$ 700 milhões não impediu que o lucro do banco espanhol caísse no 1º trimestre no País

LEANDRO MODÉ, ALTAMIRO SILVA JÚNIOR, O Estado de S.Paulo

27 de abril de 2012 | 03h07

A venda no mercado de uma operação de crédito em atraso no valor de R$ 700 milhões evitou que a taxa de inadimplência do Santander subisse no primeiro trimestre do ano, tendência que se observou nos balanços de Itaú e Bradesco. Ao passar para a frente o crédito praticamente podre, o banco conseguiu manter o indicador de calote estabilizado em 4,5%. Do contrário, teria avançado para 4,8%.

Ainda assim, a instituição teve uma queda no lucro trimestre. No padrão contábil brasileiro, o ganho alcançou R$ 1,766 bilhão, recuo de 3,3% na comparação com os três primeiros meses de 2011. Excluindo um outro efeito contábil, decorrente do ágio relativo a aquisições de outros bancos nos últimos anos, a baixa do lucro foi ainda mais expressiva: 15,5%, de R$ 1,01 bilhão em 2011 para R$ 856 milhões nos três primeiros meses deste ano.

Mesmo com o resultado pior, a participação do Brasil nos resultados globais chegou a 27%, ante 25% da Europa continental (Espanha, Portugal, Polônia e Alemanha), 25% da América Latina (México e Argentina, entre outros) e 13% do Reino Unido.

Os empréstimos problemáticos estavam quase sendo baixados para prejuízo. A carteira vendida estava 100% provisionada e era formada por várias linhas de crédito. O presidente do banco, Marcial Portela, destacou que é estratégia do banco se desfazer de carteiras assim. Ele observou que existem investidores interessados nesses ativos. Eles os compram com deságio e depois tentam recuperá-los.

Dos grandes bancos de varejo, o Santander é o único que ainda não anunciou reduções nas taxas de juros cobradas de pessoas físicas e empresas. Na semana passada, o banco divulgou taxas menores, mas disse que os produtos envolvidos já estavam sendo preparados há muito tempo. Não havia, portanto, vinculação com o movimento recente do mercado, puxado pelas instituições públicas.

Durante a apresentação de resultados, Portela afirmou que o banco estuda reduzir os juros em linhas tanto para pessoas físicas quanto empresas. "Estamos revisando as nossas taxas", disse. Segundo ele, esse é um processo que está começando agora, em meio a queda dos juros básicos da economia. "Podemos estar no início de uma nova realidade no sistema financeiro brasileiro; muita coisa vai ser revista."

O presidente do Santander lembrou que o nível de inadimplência no Brasil é sempre superior a países como Chile, México e Espanha. "Aqui também há níveis de spread maiores", disse ele. Spread é a diferença entre a taxa de juros que o banco paga para captar recursos e a que ele empresta.

Indagado sobre o que vem antes - a inadimplência puxa o spread ou o spread puxa a inadimplência -, Portela disse não saber a resposta.

Fora do Brasil? O executivo frisou que o Santander vai crescer de forma criteriosa. "A atividade comercial está forte, especialmente no varejo. Os resultados (do primeiro trimestre) colocam o banco com potencial de crescimento de forma criteriosa."

No segundo semestre, o executivo destaca que o crescimento do crédito será bem mais expressivo que nos primeiros seis meses. O banco quer crescer em linha com o mercado, na casa dos 15% a 16%, destaca Portela. "Vamos continuar no mesmo nível do resto do mercado."

Sobre rumores de que o banco no Brasil estaria sendo vendido para Bradesco ou Banco do Brasil, Portela afirmou que "são absolutamente falsos". Segundo ele, o Santander está em busca de ativos para comprar no País.

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