Venda de CD e DVD de música cai 31,2%

Receita com música digital cresce, mas não compensa a queda geral

Renato Cruz, O Estadao de S.Paulo

03 de abril de 2008 | 00h00

Dois mil e sete foi um ano difícil para a indústria da música. A queda no faturamento se aprofundou. As receitas com vendas de CDs e DVDs de música no Brasil caíram 31,2% no ano passado, chegando a R$ 312,5 milhões. O resultado, quando comparado com o pico de vendas de 2000, é ainda pior. Naquele ano, a indústria brasileira do disco havia vendido R$ 891 milhões, quase três vezes o faturamento do ano passado. Mais informações"2006 e 2007 foram muito ruins", reconheceu Paulo Rosa, presidente da Associação Brasileira de Produtores de Disco (ABPD). "Mas esperamos que este ano os formatos físicos reajam." Ele não arrisca, no entanto, apostar num crescimento. "Seria leviano fazer uma previsão, mas a expectativa é que o mercado físico reaja."A boa notícia do ano passado ficou por conta do crescimento das vendas de música digital, pela internet e pelo celular. A venda de música digital aumentou 185%, chegando a R$ 24,3 milhões, o que representa 8% do mercado total. O celular responde por 76% do total, mas o avanço mais surpreendente foi o da comercialização de música pela internet, que passou de R$ 334 mil em 2006 para R$ 5,7 milhões. Este ano, a ABPD divulgou pela primeira vez os números oficiais de música digital no País."As receitas da música digital ainda não são suficientes para compensar a queda das vendas físicas", disse Rosa. "Acho que poderá compensar no próximo ano ou no outro. A migração é lenta. Em todo o mundo, somente 15% das receitas da indústria vêm da música digital." Ele contou que uma consultoria havia previsto, em 2000, que em 2005 já não haveria discos físicos. Mas, naquele ano, as vendas digitais foram somente 8% da indústria.O executivo afirmou que, nos últimos dois anos, houve uma devolução anormal de discos do varejo para as gravadoras. "O canal agora está mais desobstruído", explicou Rosa. Segundo ele, o varejo devolveu títulos com pouca procura e abriu espaço para CDs e DVDs com mais apelo junto aos consumidores. Esse seria um dos motivos dos resultados ruins dos últimos dois anos e do otimismo para este ano.Outra explicação seria a redução dos lançamentos de artistas que vendem muitos discos no ano passado. "Pela primeira vez, não houve disco de fim de ano do Roberto Carlos", disse Rosa. "Como ele, foi o caso de diversos artistas. Esses lançamentos adiados em 2007 pularam para 2008."Os números da ABPD mostraram queda nos preços dos discos. Em unidades, a redução das vendas foi de 17,2%, para 31,3 milhões, menor que a queda de 31,2% no faturamento.Do total das vendas físicas, 77% foram de música brasileira. O campeão das vendas de CD foi o Padre Marcelo Rossi, com Minha Bênção, seguido da cantora Ivete Sangalo, com Multishow ao Vivo no Maracanã, e da dupla Cesar Menotti & Fabiano, com Palavras de Amor ao Vivo. A cantora Ivete Sangalo foi quem mais vendeu DVDs de música, seguida do padre Marcelo Rossi e da dupla Cesar Menotti & Fabiano.Para Rosa, está errada a idéia de que jovens não compram mais CDs: "High School Musical e Hannah Montana, voltados para o público infantil e adolescente, venderam muito bem. É só ter o produto certo". Os consumidores jovens, que têm mais facilidade de usar a internet e não criaram o hábito do disco, são os primeiros a migrar para a música digital.A pirataria via internet é a grande vilã da crise enfrentada pela indústria mundial da música. Os sistemas de troca de arquivos via internet permitem que as pessoas obtenham música de graça, ilegalmente. A tendência começou com o Napster, serviço que foi popular na década passada.As gravadoras querem que os provedores de acesso façam alguma coisa contra a pirataria. "É vital para nós abrir um diálogo com os provedores de acesso", disse Rosa. O executivo afirmou que a França prepara uma legislação obrigando os provedores a monitorar o tráfego para identificar material protegido por direito autoral sendo baixado ilegalmente. "Eles deverão então comunicar o usuário", disse o presidente da ABPD. "Depois da terceira comunicação, se o internauta continuar, a conexão será cortada." A proposta é no mínimo polêmica, pois contraria os conceitos de neutralidade de rede e até de privacidade.Pelo conceito de neutralidade de rede, o provedor de acesso não pode interferir no tipo de conteúdo que o usuário envia e recebe pela internet. No que diz respeito à privacidade, o provedor teria que monitorar e identificar o conteúdo que o usuário recebe e envia.

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