Venda de cimento cresce e preço dispara no País

De janeiro a setembro, consumo do produto cresceu 8,7% em relação ao mesmo período do ano passado

Márcia De Chiara, Milton F. Da Rocha Filho e Agnaldo Brito, O Estadao de S.Paulo

30 de outubro de 2007 | 00h00

A venda de cimento no mercado interno já superou neste ano as expectativas dos fabricantes, provocou disparada dos preços e falta do produto em algumas regiões do País, como a Centro-Oeste. De janeiro a setembro, o consumo doméstico do produto atingiu 32,8 milhões de toneladas, 8,7% a mais em relação a igual período do ano passado, segundo estatísticas do Sindicato Nacional da Indústria do Cimento (Snic). ''''A nossa projeção inicial de ampliar em 5% os volumes este ano já foi ultrapassada'''', afirmou o secretário executivo da entidade, José Otávio Carvalho.Só em agosto, por exemplo, a indústria vendeu 4,2 milhões de toneladas no mercado doméstico, um recorde para o setor em um único mês. ''''Esse ritmo foi mantido em setembro e neste mês'''', observou Carvalho. Ele atribui esse crescimento à forte expansão da construção civil imobiliária no País.Ontem, em seu programa de rádio Café com o Presidente, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva citou como exemplo da expansão da economia a grande procura da construção civil por cimento e a escassez do insumo em algumas regiões. O assunto entrou na pauta do encontro de Lula com 97 empresários do País, na semana passada, quando o presidente conclamou os presentes a investir.De acordo com o secretário do Snic, as providências para ampliar a produção já foram tomadas. ''''Providenciamos o religamento de fornos, a reabertura de fábricas fechadas e a aceleração dos projetos de investimento'''', diz Carvalho.A Holcim, que detém entre 8% e 9% da produção nacional de cimento e é a maior fabricante mundial, trabalha hoje ocupando 100% da capacidade instalada em quatro fábricas. Segundo o diretor Comercial, Carlos Eduardo Almeida, a empresa já decidiu reativar a fábrica de Sorocaba (SP), ligar um forno na unidade de Pedro Leopoldo (MG) e reparar um moinho da fábrica em Cantagalo (RJ) para atender à maior demanda. ''''Em agosto, ampliamos as vendas em 22% ante o mesmo período de 2006. Nunca vi isso em 26 anos de empresa.''''A corrida para a compra de cimento provocou a falta do produto nas regiões mais distantes do País, como a Centro-Oeste, observa Almeida. Hiroshi Shimuta, presidente do Conselho da Anamaco, que reúne as revendas de materiais de construção, diz que está faltando produto no Pará e em Goiás.Carvalho, do Snic, confirma que houve um desequilíbrio entre oferta e a logística de entrega nas regiões mais distantes dos centros. Ele nega que a maior procura tenha provocado alta dos preços do produto.O diretor Comercial da Holcim admite, no entanto, reajuste de 10% dos preços do cimento da indústria para o varejo a partir de julho. Dados da Fundação Getúlio Vargas (FGV), que acompanha os preços do cimento no atacado para apurar o Índice Geral de Preços - Disponibilidade Interna (IGP-DI), mostram que o preço do cimento subiu no ano até setembro 7,30%, ante alta de 4,63% das cotações dos materiais de construção, em média, no mesmo período.Salomão Quadros, coordenador de Análises Econômicas da FGV, destaca que, em apenas um mês, setembro, o cimento subiu 5%. Ele ressalta que a elevação dos preços está restrita aos mercados do Centro-Oeste, Belo Horizonte (MG) e São Paulo. ''''Nos demais, não observamos elevações significativas.'''' Segundo ele, também não há evidências de alta de preços importantes de outros materiais.A indústria de vergalhões para a construção diz que não há risco de desabastecimento. Segundo o presidente executivo do Instituto Brasileiro de Siderurgia (IBS), Marco Polo de Mello Lopes, Lula está ''''equivocado'''' em dizer que falta produto. Eduardo Zaidan, diretor de Economia do Sinduscon, que representa as construtoras, diz que não há construtora que paralisou obra por falta de produto.

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