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Venda de combustíveis em março aumentou, diz Gabrielli

O presidente da Petrobras, José Sérgio Gabrielli, informou hoje que as vendas de combustíveis apresentaram sinais de recuperação em março. Sem citar números, o executivo afirmou que o volume vendido pelas refinarias da estatal até o dia 25 foi maior do que o registrado no mesmo período do ano anterior. "É um sinal de que a economia teve certa recuperação. Mas ainda é cedo para dizer se é uma tendência, se o cenário vai se repetir", disse o executivo, em entrevista após palestra promovida pelo Instituto Brasileiro dos Executivos de Finanças (Ibef). Gabrielli não detalhou quais tipos de combustíveis apresentaram alta no consumo. "É o mercado como um todo", limitou-se a dizer.

NICOLA PAMPLONA, Agencia Estado

31 de março de 2009 | 16h25

A informação foi dada como exemplo de que ainda não é possível prever o comportamento da economia no curto prazo. Gabrielli falava sobre as dificuldades de seus fornecedores na busca por crédito para financiamento ou capital de giro, questão considerada um dos pontos críticos para a execução do plano de investimentos da companhia.

A Petrobras já vem antecipando pagamentos a fornecedores e trabalha na criação de Fundos de Direitos Creditórios (FDIC), mas o executivo disse que a companhia pode sofrer alguma pressão dos fornecedores caso os efeitos da crise se aprofundem. Entre dezembro e janeiro, a companhia antecipou R$ 1,26 bilhão em pagamentos aos fornecedores. Gabrielli não soube informar o valor registrado em fevereiro.

O presidente da Petrobras abriu sua palestra explicando aos executivos o porquê da demora em reduzir os preços da gasolina. Segundo ele, os mercados futuros apontam alta de preços nos próximos meses, em um sinal de que a instabilidade ainda não acabou.

Gás

Gabrielli afirmou que os leilões de gás que a companhia começa a promover este mês têm como objetivo encontrar mercado para o gás contratado pelas térmicas, hoje sem uso por causa das boas perspectivas de chuvas para os reservatórios das hidrelétricas. "A demanda de gás depende muito das térmicas, que dependem da expectativa de chuvas. É um fator que não está sob nosso controle", disse o executivo. "Mas a infraestrutura tem de estar disponível", completou.

Ou seja, enquanto as térmicas não gerarem, a Petrobras fica com volumes ociosos de gás natural. Por isso, criou uma nova modalidade de contratos, de curto prazo, em busca de clientes das distribuidoras que podem escolher que combustível usar. Segundo Gabrielli, a relação de preços entre o gás e o óleo combustível hoje é favorável ao primeiro, o que poderia atrair interessados nos novos contratos. "É mais uma medida para flexibilizar a demanda de gás", afirmou o presidente da Petrobras.

A oferta, disse, já vem sendo flexibilizada com a instalação de terminais de gás natural liquefeito (GNL). O primeiro leilão será realizado no dia 15 de abril. Gabrielli não quis adiantar quais serão os preços sugeridos - os vencedores serão as empresas que apresentarem maiores valores pelos lotes. O volume negociado, disse o executivo, também depende da demanda.

CPI

O presidente da Petrobras disse que a proposta de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) dos contratos da companhia é "politização" do assunto. A proposta será discutida pela bancada do DEM, segundo informou ontem o líder do partido na Câmara, Ronaldo Caiado (GO), dizendo que a grande preocupação do partido são as denúncias de superfaturamento de obras. "Estão politizando o assunto", afirmou hoje o executivo.

Gabrielli afirmou que a empresa está discutindo com o Tribunal de Contas da União (TCU) os critérios para avaliar o custo de uma obra - uma suspeita do TCU sobre superfaturamento na Refinaria do Nordeste, em Abreu e Lima (PE), consta de relatório da operação da Polícia Federal Castelo de Areia, que prendeu executivos da construtora Camargo Corrêa. "Não se pode considerar a terraplenagem de uma refinaria como se fosse a terraplenagem de uma estrada. O TCU usa critério do departamento de estradas", comparou o executivo.

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