Ações

Empresas de Eike disparam na bolsa após fim de recuperação judicial da OSX

Venda de espumantes bate novos recordes

Consumo deve fechar em 17,3 milhões de litros este ano, 20% mais do que em 2009

Elder Ogliari, O Estado de S.Paulo

31 de dezembro de 2010 | 00h00

A venda de espumantes produzidos no Brasil deve chegar aos 13 milhões de litros este ano, mantendo a tendência, iniciada em 2005, de avançar a saltos de 20% e de estabelecer novo recorde a cada ano.

Os números ainda não estão fechados, mas a aposta feita pelos produtores é certeira. Dados do Instituto Brasileiro do Vinho (Ibravin) indicam que, de janeiro a outubro, foram comercializados 7,9 milhões de litros. O volume é 21,2% superior ao do mesmo período do ano passado.

A julgar pelos resultados dos anos anteriores, a demanda aquecida pelas festas de fim de ano, o ritmo frenético das vinícolas para atender aos pedidos antes do Natal e a percepção dos diretores das vinícolas da Serra Gaúcha, os dados de novembro e dezembro, quando computados, devem confirmar o índice. Em 2009, a soma do consumo de espumantes brasileiros e estrangeiros chegou a 14,4 milhões de litros no País. Neste ano, deve subir para 17,3 milhões de litros, com uma fatia de 4,3 milhões de litros para os importados.

Entre os produtores de espumantes brasileiros, 90% dos quais localizados na Serra Gaúcha, as explicações para o crescimento da preferência pela bebida são quase unânimes. Todos apontam a percepção, no ano de 1999, de que havia mercado para o produto, seguida de investimentos em vinhedos, tecnologia e marketing como passos iniciais da escalada.

Ao mesmo tempo, a Serra Gaúcha passou a ser reconhecida como das melhores regiões do mundo para espumantes, à medida que análises técnicas indicavam que seu solo e clima são propícios à maturação adequada para a fabricação dos espumantes de uvas como a pinot noir, chardonnay, riesling, pinotage, moscatel e prosecco.

"As condições naturais daqui dão a essas variedades características particulares que serão percebidas em espumantes leves e frutados, que não deixam o pouco de amargor de vinhos semelhantes, mais encorpados, produzidos em outras regiões", destaca o presidente da Associação Brasileira de Enologia, Christian Bernardi.

À percepção do potencial da região e aos investimentos somaram-se outros dois fatores que explicam a crescente aceitação do espumante brasileiro. Um deles é o aumento do poder aquisitivo da população, que fez muitos consumidores trocarem o filtrado doce pelo moscatel e, com isso, migrarem para a etapa inicial do mundo dos espumantes.

É justamente essa variedade, de menor teor alcoólico, que tem registrado as maiores variações, para cima, nas vendas, com 24,6% de janeiro a outubro. O outro é uma mudança de hábitos. "Há alguns anos, o espumante era consumido somente em casamentos, no Natal e Ano Novo", compara o presidente do conselho deliberativo do Ibravin, Júlio Fante. "Hoje, o consumo vai do aperitivo até a sobremesa, passando muitas vezes pelo acompanhamento de toda a refeição."

Os produtores acreditam que o melhor ainda está por vir. Fante lembra que a França produz 300 milhões de garrafas por ano e diz que o Brasil, com população de 190 milhões de pessoas, poder aquisitivo em crescimento e apenas 13 milhões de garrafas por ano, tem muito a crescer.

Se seguir no mesmo ritmo dos últimos cinco anos, o setor dobrará de tamanho nos próximos cinco. "O espumante brasileiro encontrou seu caminho."

Vinhos. Ao mesmo tempo em que comemoram o sucesso de seus espumantes, os produtores sofrem com a concorrência que os importados fazem aos demais vinhos. Neste caso, a proporção das vendas se inverte. Em 2009, os brasileiros venderam 18 milhões de litros de vinhos finos, correspondentes a 24,3% do mercado interno. Os números são muito inferiores aos 56,2 milhões de litros - 75,7% do total - comercializados por marcas estrangeiras no País. Os porcentuais se mantêm em patamares muito próximos há alguns anos e devem se repetir em 2010.

Há pelo menos duas explicações para o fenômeno. Fante destaca que o espumante de qualidade tem produção limitada, restrita a poucas regiões do mundo, enquanto o vinho fino em geral atinge volumes muito maiores e pressiona mais o mercado. Henrique Benedetti, presidente da União Brasileira de Vitivinicultura (Uvibra), lembra que os impostos aplicados sobre o vinho brasileiro chegam a 54%, enquanto os pagos pelos importados ficam em 35%, tanto por causa dos incentivos governamentais na origem quanto pela guerra fiscal entre os Estados brasileiros.

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.