Venda de estaleiros não afeta nacionalização de plataformas

Uma possível confirmação do interesse de empresas internacionais na aquisição de estaleiros do Rio de Janeiro não compromete a decisão do governo brasileiro em garantir um índice de nacionalização das plataformas P-51 e P-52 da Petrobras. A opinião é do conselheiro estratégico da Associação Brasileira da Infra-Estrutura e Indústrias de Base (Abdib), Maurilio Biagi Filho."O mais positivo é que foi consagrada pelo governo e pela Petrobras a proposta da Abdib de um índice de nacionalização de 60% para casco e deck das duas plataformas, e de 75% para os subconjuntos. O importante, portanto, é que a mão-de-obra e os equipamentos serão produzidos aqui", avalia, ao enfatizar que as exigências "não trazem prejuízo para a inserção do Brasil na globalização". "Se o lucro da construção será remetido para o exterior, porque os estaleiros serão adquiridos por estrangeiros, isso é secundário", complementa.Informação publicada hoje pelo jornal O Globo dá conta que o alemão MPC e o norueguês Aker procuram estaleiros para comprar no Brasil, de olho nas novas plataformas da Petrobras. "A reativação dos estaleiros do Rio de Janeiro também contou com a participação de estrangeiros, com formação de parcerias. Como já é uma prática comum a presença de estrangeiros, também é justificável o interesse de alemães e noruegueses", analisa.Descoberta de petróleoBiagi faz uma estimativa que outros grupos estrangeiros, inclusive asiáticos, vão se interessar em formar parcerias ou adquirir empresas brasileiras nos próximos dez anos. "Teremos logo, logo as discussões iniciadas sobre as plataformas P-53 e P-54. Além disso, com as recentes descobertas de novas áreas e a exploração das bacias petrolíferas brasileiras pelas multinacionais do setor, com toda a certeza vai aumentar o interesse internacional por nossos estaleiros", projeta.Ele lembra que o Brasil sofre de escassez de linhas de financiamento e os juros são muito elevados, o que também acaba por estimular as parcerias entre as empresas nacionais e as estrangeiras.Para o conselheiro da Abid, o quadro de fornecedores de equipamentos e serviços para as novas plataformas da Petrobras ainda se encontram em um grau heterogêneo de capacidade de fornecimento. "Encontramos três tipos de fornecedores: aqueles que estão 100% prontos com alta tecnologia; outros que estão parcialmente preparados, necessitando de ajustes; e outros que têm conhecimento para a execução das tarefas, mas estão defasados tecnologicamente e precisarão de injeção de capital", explica. "Mas certamente essas diferenças estarão reduzidas ou até eliminadas quando o processo de construção das novas plataformas for iniciado", enfatiza.

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