Venda de fábrica reduziria alavancagem da Fibria, mas surpreende

A venda da unidade Guaíba (RS) da Fibria, resultante da união de VCP e Aracruz, reduziria de forma significativa sua alavancagem, mas causaria surpresa ao mercado, na avaliação de analistas que acompanham o setor de celulose.

STELLA FONTES, REUTERS

16 de setembro de 2009 | 17h22

Segundo cálculos do analista Leonardo Alves, da Link Investimentos, caso Guaíba seja vendida por 1,5 bilhão de dólares, conforme sinalizado pelo jornal Valor Econômico, o endividamento da Fibria seria reduzido em cerca de 20 por cento e o nível de alavancagem consequentemente cairia, acelerando processo já indicado como meta primordial da empresa.

"Se houver uma venda em torno desse valor, a Fibria reduz bastante suas necessidades de curto prazo e fica liberada para tocar novos projetos", disse o analista.

A Aracruz revelou na terça-feira à noite que vai analisar propostas recebidas pela operação gaúcha, sem mencionar valores ou nomes dos interessados. "Tudo é uma questão de preço. Mas, hoje, apesar da dívida elevada, a companhia não está com problemas de financiamento", ponderou o analista Felipe Ruppenthal, da Geração Futuro.

A fábrica de Guaíba foi comprada da Klabin pela Aracruz em 2003.

Em abril deste ano, segundo documento arquivado na Comissão de Valores Mobiliários (CVM), o Conselho de Administração da Aracruz autorizou a hipoteca da unidade gaúcha em favor do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), avaliada em setembro do ano passado em 889,2 milhões de reais.

Para a estrategista da Ativa Corretora, Mônica Araújo, isso não deve representar um problema em caso de venda da fábrica, já que o BNDES é acionista de peso na companhia.

O BNDES é o acionista majoritário da Fibria, com participação de 34,9 por cento no capital da companhia, enquanto o Grupo Votorantim detém fatia de 29,3 por cento.

DÍVIDA EM FOCO

A Fibria, maior produtora mundial de celulose de mercado, encerrou junho com dívida líquida de 13,4 bilhões de reais, como resultado de perdas com derivativos e dispêndios para incorporação da Aracruz pela VCP, e deve fechar o ano com relação entre dívida e Ebitda de 7,7 vezes.

Ao final de 2010, a alavancagem da Fibria deve cair para 5,2 vezes, por modelos de analistas citados pelo diretor financeiro da empresa, Marcos Grodetzky, em evento recente.

Tais números não consideram a venda da unidade gaúcha, cujo projeto de expansão, conforme a diretoria da Fibria, seria prioritário no momento de retomada de investimentos.

"A possível venda de Guaíba vai na contramão do que a empresa vinha falando", ressaltou o analista Pedro Galdi, da SLW Corretora.

Analistas e uma fonte do setor listam ao menos três nomes como potenciais compradores da unidade: as chilenas CMPC e Copec (controladora da Arauco) e a chinesa Nine Dragons Paper.

A sueco-finlandesa Stora Enso e a brasileira Suzano Papel e Celulose também foram mencionadas como possíveis pretendentes.

Conforme especialistas, a previsão era que a Fibria vendesse ativos menos estratégicos para reduzir sua dívida. As apostas indicavam para a saída do negócio de papel, e não para a alienação de operações de celulose.

"O mercado já esperava um desinvestimento, uma vez que a empresa terá fluxo de caixa negativo em 2009 e 2010. Só não era esperado que fosse em celulose", observou Mônica, da Ativa.

Para o analista Alves, da Link, embora a Fibria possa abrir mão de fluxo de caixa ao vender a unidade gaúcha, que tem capacidade nominal de 450 mil toneladas anuais de celulose e 50 mil toneladas por ano de papel, a operação abre a possibilidade de antecipação de outros projetos, ao revigorar suas finanças.

Procurada, a Fibria informou que não se manifestará sobre o assunto além do comunicado encaminhado à CVM na véspera. Representantes de Suzano, Stora Enso e BNDES não foram localizados imediatamente para comentar o tema.

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