Venda de fatia na rede de hospitais é boa notícia para o BTG

Desde a entrada do banco, em 2010, valor de mercado da rede D'Or foi multiplicado por dez

FERNANDO SCHELLER, ALINE BRONZATI E FERNANDA GUIMARÃES, O Estado de S.Paulo

28 de abril de 2015 | 02h04

Ainda que imediatamente nenhum dinheiro novo vá entrar no caixa do banco BTG Pactual em razão da compra da fatia da rede D'Or pelo fundo americano Carlyle, o fechamento da operação é uma bem-vinda boa notícia para a área de private equity da instituição comandada por André Esteves. O BTG sofreu uma série de reveses recentemente, que vão de apostas em negócios paralisados pela Operação Lava Jato a empresas de varejo que são consideradas apostas equivocadas pelo mercado e estão em fase de reestruturação.

Ao conseguir negociar 8,3% do capital da rede D'Or por R$ 1,75 bilhão, a avaliação do negócio ficou em R$ 19,6 bilhões, de acordo com fontes de mercado. Isso significa que, em cinco anos, o banco conseguiu multiplicar por dez o valor do negócio. O investimento original do banco na companhia de hospitais ocorreu em 2010, quando o BTG desembolsou R$ 600 milhões. À época, empresa havia sido avaliada em R$ 1,9 bilhão.

Desde então, com os recursos injetados pelo BTG, a rede D'Or iniciou uma trajetória de expansão via aquisições. O passo mais ousado foi a compra da rede de hospitais São Luiz, em 2011, que marcou a entrada da companhia no mercado paulista. Além de 16 aquisições, a empresa também construiu e ampliou hospitais. Hoje, a rede d'Or está presente no Rio de Janeiro, em São Paulo, no Distrito Federal e em Pernambuco. A empresa tem 27 hospitais próprios e administra outros dois.

"Essa foi uma excelente tese de investimento, em um segmento com altas taxas de crescimento e, ao mesmo tempo, resiliência. Na época da transação, a indústria de planos de saúde vinha se consolidando, ao passo que os hospitais eram muito fragmentados. Nossa tese se baseava em consolidar o segmento hospitalar para poder crescer em parceria com os planos de saúde", destaca o sócio e head de merchant banking do BTG Pactual, Carlos Fonseca, em entrevista ao Broadcast, serviço de notícias em tempo real da Agência Estado.

Segundo o executivo, outro ponto que contou a favor do negócio foi a família fundadora da rede D'Or, que sempre demonstrou uma "alta capacidade de execução e gestão da companhia". O hospital foi fundado pelo cardiologista Jorge Moll, em 1977 - a primeira unidade ficava no bairro de Botafogo, no Rio.

Embora o banco de André Esteves não tenha recebido nada do Carlyle neste momento, fontes dizem que o fundo americano está costurando novo acordo para aportar mais R$ 2 bilhões - este novo negócio resultaria em pagamento direto aos sócios, incluindo o BTG.

"A rede D'Or, que é o maior investimento do portfólio de merchant banking do banco, mostra a qualidade do nosso portfólio", afirma Fonseca. Na carteira de participações da BTG, há cerca de 30 empresas, segundo fontes de mercado.

Problemas. O negócio com o Carlyle ocorre após alguns investimentos problemáticos do BTG Pactual, como a Sete Brasil, cuja viabilidade foi colocada em xeque após o início da Operação Lava Jato, e a BR Pharma, que agrega diferentes bandeiras de farmácias e pode exigir novos aportes do banco (leia quadro acima). Há ainda a rede de lojas popular Leader, que está sendo reestruturada com a ajuda do consultor Enéas Pestana, ex-presidente do Grupo Pão de Açúcar.

Além da rede D'Or, o mercado vê outros destaques positivos no portfólio do banco. Entre eles estão a a rede de estacionamentos Estapar, que tem 900 pontos em todo o País, e a rede de academias BodyTech, que também opera a marca Fórmula. Ao todo, são 85 academias, sendo 64 próprias. Outro acerto, na avaliação de fontes, teria sido a venda de uma participação em uma concessionária de túneis na Espanha, que teria gerado lucro líquido de R$ 300 milhões. 

Notícias relacionadas

    Encontrou algum erro? Entre em contato

    O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.