Venda de gás aumentou margem de lucro em 35%, diz ANP

Levantamento semanal de preços feito pela Agência Nacional do Petróleo (ANP) indica que as margens de lucro da revenda de gás liquefeito de petróleo (GLP), o gás de botijão, cresceram 35% neste ano. Segundo o estudo, os revendedores de gás ganhavam, em média, R$ 3,34 por botijão de 13 quilos em dezembro. Em julho, este valor passou a R$ 4,53. Na etapa da distribuição, as margens também aumentaram, segundo especialistas do setor. O ganho das distribuidoras, atualmente, é de R$ 3,40 por botijão, segundo o consultor Adriano Pires, do Centro Brasileiro de Infra-Estrutura (CBIE). O valor representa 12,9% do preço médio do botijão no País. Pires lembra, porém, que parte da margem da revenda fica com as distribuidoras, que vendem seus próprios botijões em caminhões.As distribuidoras, no entanto, divulgaram nota ontem à tarde afirmando que tiveram que comprimir suas margens para não perder mercado com os sucessivos aumentos promovidos pela Petrobrás. Segundo o Sindicato das Empresas Distribuidoras de GLP (Sindigás), a margem de distribuição foi reduzida em 23%. De acordo com a entidade, a Petrobrás cobra o custo do frete internacional do gás, "como se todo o volume oferecido fosse suprido por fontes externas, quando na verdade cerca de 70% do GLP consumido no Brasil é produzido internamente". A nota conclui que "é preciso rever as questões relacionadas com o supridor único e com a política tributária", outro fator responsável pela alta dos preços.Pires concorda: "Este mercado é peculiar: há um monopólio na produção e um oligopólio na distribuição. Se o governo acha que os preços estão exagerados, deve chamar as empresas e conversar", propõe, frisando que é contra qualquer tipo de tabelamento de preços. Mais de 90% do mercado de GLP é controlado por cinco empresas, membros do Sindigás. A revenda, por outro lado, é altamente pulverizada, e tem entre pontos de venda desde postos de gasolina a botecos no interior.Em junho, o Núcleo de Defesa da Concorrência da ANP detectou indícios de formação de cartel na revenda de GLP em 32 cidades brasileiras. Nelas, técnicos da agência descobriram uma baixo nível de dispersão de preços e margens de revenda excessivas. Em um caso, Picos (PI), foi enviado relatório ao Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) e à Secretaria de Direito Econômico (SDE) para instauração de processo administrativo para a purar cartelização.Antes, a ANP já havia feito pareceres sobre duas outras cidades: Petrolina (PE) e Americana (SP). A agência informou que continua acompanhando o mercado nas cidades com suspeita de combinação de preços.

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