Werther Santana/Estadão - 31/8/2020
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Venda de imóveis em São Paulo cresce 19,2% em setembro; preços também estão em alta

Aumento em comparação com o mesmo mês do ano passado confirma trajetória de recuperação do setor, enquanto os preços têm subido acima da inflação

Circe Bonatelli, O Estado de S.Paulo

26 de outubro de 2020 | 08h02

O mercado imobiliário mostrou em setembro, mais uma vez,  sua rápida recuperação em meio à crise gerada pela pandemia da covid-19.  A pesquisa do Sindicato da Habitação (Secovi-SP), que monitora imóveis residenciais novos na cidade de São Paulo, apontou expansão tanto das vendas quanto dos lançamentos, na comparação com setembro do ano passado.

A comercialização atingiu 5.147 unidades em setembro, um número 18,9% inferior ao agosto (quando o setor teve recorde de vendas), mas com alta de 19,2% em relação a setembro do ano passado. No acumulado dos últimos 12 meses, as vendas totalizaram 49.715 unidades, um aumento de 12,7% em relação ao mesmo período do ano anterior.

Os lançamentos chegaram a 6.238 unidades em setembro, 22,4% menos que o registrado em agosto e 40,4% acima do total de setembro do ano passado. Em 12 meses, foram lançadas 56.646 unidades, 1,3% acima do mesmo período do ano anterior.

A recuperação do mercado já tinha sido apontada em uma  pesquisa de preços divulgada no início de outubro. O Índice Fipezap, um levantamento feito pela Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe) com base nos anúncios online em 50 cidades, apontou que o preço médio anunciado dos imóveis residenciais no País teve em setembro a maior alta para o mês em seis anos. O valor pedido de venda das moradias subiu 0,53% no mês passado, mostrando aceleração em relação a agosto, quando cresceu 0,37%. No acumulado deste ano, os preços já aumentaram 2,31%. No mesmo período, o IPCA, índice oficial de inflação, registrou alta de 1,34%.

Setor registra melhora contínua

O presidente do Secovi-SP, Basilio Jafet, avaliou que os números confirmam o movimento de recuperação do mercado imobiliário após o fechamento dos estandes durante a quarentena. "O movimento de melhora continua. Setembro ficou abaixo de agosto, que foi um mês fora da curva pelo acúmulo brutal de negócios não realizados durante a quarentena. Mas, mesmo assim, setembro foi um mês muito forte", afirmou.

Segundo Jafet, a recuperação está sendo impulsionada pela queda nos juros do financiamento da compra de moradias, bem como pela diversificação de modalidades de empréstimos - feitos com base na TR, no IPCA e na poupança. "O mercado de crédito imobiliário baixou as taxas, amadureceu e diversificou as opções para os clientes", disse. "Para as incorporadoras, isso é ótimo."

Ele reiterou ainda a perspectiva de que o setor será capaz de encerrar 2020 com um volume de vendas semelhante ao de 2019, quando foram comercializadas 44.735 unidades. O total de lançamentos, no entanto, deve ser menor que o de 2019, quando o setor bateu o recorde, com 55.529 unidades. "Muitos lançamentos estão sendo retomados agora, mas em muitos casos não vai haver tempo suficiente para que sejam realizados, e ficarão para o ano que vem."

A capital paulista encerrou o mês passado com um estoque de 31.800 apartamentos novos disponíveis para venda, considerando unidades na planta, em obras e recém-construídos. Esse estoque é 2,9% superior ao de agosto e 19,1% maior do que em setembro de 2019.

Preços em alta

Já o aumento dos preços é uma surpresa para o coordenador do Índice Fipezap, Eduardo Zylberstajn: “Com a chegada da pandemia, em março e abril, era difícil encontrar alguém que imaginasse uma alta no mercado imobiliário como estamos vendo hoje”, disse, no dia da divulgação.

De acordo com ele, a alta nos preços anunciados é um reflexo de três fatores. O primeiro deles é a recuperação da demanda por imóveis. Isso vem acontecendo porque os juros baixos aumentaram a capacidade de financiamento das famílias e atraíram investidores da renda fixa, impulsionando as vendas.

O segundo ponto é que o nível de confiança da população e seu interesse em buscar um imóvel foi preservado. “As pessoas acreditam que a pandemia vai passar, mais cedo ou mais tarde, e ainda querem negociar”, observou Zylberstajn.

Por fim, ele avaliou que há uma mudança de comportamento por causa da pandemia, e mais pessoas estão ficando em casa. Daí a procura por um espaço maior e mais confortável, que tem influenciado a demanda. “Esta não é uma crise como as outras. Não é uma recessão típica. Do ponto de vista do mercado imobiliário, a atividade se manteve”, disse.

Caso não haja nenhuma ruptura no ciclo de juros baixos, a tendência é que as vendas e os preços mantenham a trajetória de alta, estimou o coordenador. O que pode mudar essa trajetória é alguma medida do governo federal que eleve o risco do País, ponderou.

“O flerte do governo com a quebra do compromisso firme de austeridade fiscal é um fator de risco.” A consequência seria o aumento nas taxas do financiamento da casa própria, uma operação de crédito de longo prazo que considera as expectativas para o País nos anos seguintes.

O Índice Fipezap revela também que a alta dos valores dos imóveis foi praticamente generalizada em setembro, ainda que a força da alta tenha mostrado intensidade diferente em cada uma das regiões.

Entre as 16 capitais pesquisadas, foram registradas altas em 15 delas no mês: Brasília (1,97%), Curitiba (1,39%), Recife (1,20%), João Pessoa (0,78%), Fortaleza (0,52%), Belo Horizonte (0,70%), Salvador (0,70%), Maceió (0,66%), Vitória (0,66%), Goiânia (0,61%), Fortaleza (0,52%), Manaus (0,48%), Rio de Janeiro (0,38%), Campo Grande (0,35%), São Paulo (0,35%) e Florianópolis (0,10%). A única queda nos preços foi em Porto Alegre (-0,05%).



 

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