Venda de imóveis novos despenca 48% em São Paulo

Secovi-SP atribui queda obtida em agosto ao menor volume de lançamentos [br]feitos na capital

Roberta Scrivano, O Estado de S.Paulo

20 de outubro de 2010 | 00h00

As vendas de imóveis residenciais novos na cidade de São Paulo caíram 48,4% em agosto na comparação com julho, para 1.638 unidades. Os dados são do Sindicato das Empresas de Compra, Venda, Locação e Administração de Imóveis Residenciais Comerciais (Secovi-SP).

Segundo Celso Petrucci, economista-chefe do Secovi-SP, o recuo no volume comercializado se deve exclusivamente ao menor número de lançamentos feitos no mês na capital paulista. "Dados da Embraesp (Empresa Brasileira de Estudos de Patrimônio) mostram que houve retração de 36,8% em agosto sobre julho nos lançamento o que, consequentemente, diminui o número de unidades vendidas", explica Petrucci.

O economista diz que o excesso de burocracia e a falta de terrenos disponíveis na capital são os principais fatores que impedem a evolução dos lançamentos. "A dificuldade de viabilizar projetos na capital está fazendo as construtoras migrarem para outros municípios do Estado", completa.

O volume de novos imóveis inaugurados em agosto na capital corresponde a 34,1% do total de 4.786 unidades lançadas na Região Metropolitana de São Paulo. Nas vendas, a participação da cidade de São Paulo foi de 42,8% do total comercializado na região. "A participação da capital, historicamente, sempre foi maior que a do restante da região", lembra Petrucci.

Preço. Questionado sobre se o recuo nas vendas pode ser uma sinalização de diminuição de preço dos imóveis, Petrucci é enfático e diz que não. "A queda ocorreu por diminuição específica na oferta e não na demanda."

O economista afirma ainda que, apesar da "queda pontual de agosto", a velocidade de venda neste ano está mais rápida que no ano passado.

Segundo ele, o indicador de vendas sobre oferta (VSO) da capital paulista foi de 21,9% no acumulado do ano, superior aos 14,3% obtidos de janeiro a agosto de 2009. "Quanto menor o porcentual do VSO mais baixo o volume de venda e de lançamentos no período", explica Petrucci.

Denise Labate Vasconcellos, professora de finanças do Mackenzie e especialista no mercado imobiliário, no entanto, afirma que há "um certo espanto" por parte da população em relação ao preço dos imóveis. "O recuo nas vendas pode fazer com que a ponta desse iceberg, que é a valorização imobiliária excessiva, apareça", diz.

Denise, porém, não acredita que haverá menor preço nos próximos anos. "Enquanto houver acréscimo de renda e financiamento em grande quantidade, os preços continuarão altíssimos", completa.

E os dados que avaliam as vendas de janeiro a agosto mostram que a demanda ainda é grande por novos imóveis. Nos oito meses do ano, as vendas aumentaram 8,9% na comparação com o mesmo período de 2009, para 21.820 unidades. O valor comercializado subiu 29,2%, para R$ 8,3 bilhões.

Denise, do Mackenzie, comenta ainda que há uma expectativa no mercado

Líder de vendas. Ainda de acordo com a pesquisa do Secovi-SP, no mês de agosto os imóveis de dois dormitórios foram responsáveis por 49,1% do total vendido, seguidos pelas unidades de três dormitórios, com 26,6% do total comercializado.

Pequeno porte

Das moradias novas vendidas em agosto, cerca de 80% têm área útil de até 130 m². Desse porcentual, 35% têm entre 46 m² e 65 m² .

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