Venda de itens básicos salva o comércio varejista

A compra de alimentos, bebidas, roupas e sapatos evitou uma nova queda no volume de vendas do comércio varejista, que após oito meses consecutivos de recuo cresceu 0,6% entre setembro e outubro no conceito restrito, que exclui veículos e material de construção, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). A ligeira reação pouco altera a tendência negativa do varejo, cujas vendas caíram 2,7% nos últimos 12 meses em comparação com os 12 meses anteriores no conceito restrito e 6,8% no conceito ampliado, puxadas pela diminuição de 15,4% em veículos e motos, partes e peças e de 6,3% em material de construção.

O Estado de S.Paulo

19 Dezembro 2015 | 02h55

Foi o pior outubro para o varejo desde 2001, início da série histórica da pesquisa. Em relação a outubro de 2014, as vendas caíram em todos os itens. Os analistas, na média, esperavam ainda menos: queda de 0,2% no comércio restrito.

Como em dezembro muitos trabalhadores deixam para a segunda quinzena do mês as compras de Natal, após receber a segunda parcela do 13.º salário, é difícil de saber se a recuperação de outubro se deveu a uma antecipação do consumo do fim do ano. Mas com inflação alta e emprego e renda em baixa é improvável que as famílias façam mais dívidas para consumir.

A concentração dos gastos em itens básicos indica bom senso do consumidor. As compras em hiper, supermercados, produtos alimentícios, bebidas e fumo cresceram 2% entre setembro e outubro, com leve queda de 0,3% na comparação com outubro do ano passado, resultados muito acima da média.

O item tecidos, vestuário e calçados avançou 1,9% no mês, nem de longe recuperando a queda de 9,7% em relação a outubro de 2014 e de 6% nos últimos 12 meses. Em móveis e eletrodomésticos houve alta mensal de 0,6%, mas a queda foi de 16,1% comparativamente a outubro de 2014 e de 10,8% em 12 meses.

Em alguns itens, o volume de vendas deteriorou-se muito nos últimos meses. É o caso, em outubro, das vendas de equipamentos e material para escritório, informática e comunicação (-23,9%), veículos e motos (-23,9%), material de construção (-15,7%) e outros artigos de uso pessoal e doméstico (-9%). Nem a compra de remédios se sustenta, o que pode ser explicado pela queda do poder aquisitivo da população de maior faixa etária, mais dependente de medicamentos.

Até consumidores cuja renda real foi preservada tendem a pensar duas vezes antes de gastar.

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