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Celio Messias/AE-5/5/2011
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Venda de máquinas agrícolas bate recorde

Com expansão registrada pelo setor, fabricantes investem em aumento da produção

Fernanda Yoneya e Leandro Costa, O Estado de S.Paulo

18 de maio de 2011 | 00h00

Capitalizados graças aos bons preços obtidos para a maioria das commodities na recém-colhida safra recorde - com 159,5 milhões de toneladas de grãos, segundo a Conab -, produtores rurais de todo o País investem altas cifras na compra de máquinas com tecnologia sofisticada, para melhorar a produtividade das lavouras.

De maio de 2010 a abril deste ano, 66,8 mil unidades de colhedoras e tratores foram vendidos no País, ou 6% mais em relação a igual período anterior, segundo a Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea). "O ano passado, aliás, foi histórico para o setor, com 69 mil unidades vendidas; este ano devemos pelo menos continuar assim", diz Milton Rego, vice-presidente da Anfavea.

Na maior feira de máquinas para o setor da América Latina, a Agrishow, realizada no início do mês em Ribeirão Preto (SP), a empolgação dos fabricantes confirmou-se com os números: a edição deste ano registrou R$ 1,5 bilhão em negócios com máquinas e implementos agrícolas, crescimento de 30% em relação a 2010 - que já era considerado bom pela indústria.

Além disso, estimativas da Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (Abimaq) dão conta de que este ano o segmento deve crescer 15% em relação ao anterior. Com a busca cada vez maior pelos mais variados produtos, desde tratores e colhedoras até implementos como adubadoras, plantadoras e pulverizadores, há receio no setor sobre a capacidade instalada para atender pedidos até o início da próxima safra de verão, no fim do ano.

"Essa indústria não costuma trabalhar com estoques; fabrica conforme a demanda", diz o presidente da Câmara Setorial de Máquinas e Implementos Agrícolas da Abimaq, Celso Casale. "Ou, pelo menos, se o volume de pedidos for elevado, pode ocorrer de o produtor ter de esperar um prazo maior para receber o equipamento."

Por acreditar no firme crescimento do setor e justamente para evitar um "apagão" agrícola, as grandes fabricantes estão se movimentando para ampliar seus parques produtivos.

A John Deere, líder em colhedoras de grãos no País, estuda áreas para a instalação de uma nova fábrica. O diretor de Relações Institucionais para a América do Sul da empresa, Alfredo Miguel Neto, afirma que a empresa, que faturou 25% a mais no primeiro trimestre em relação ao mesmo período de 2010, anunciará em breve aportes nesse sentido. A empresa fabrica, além de colhedoras de grãos e de cana-de-açúcar, tratores e implementos nos municípios gaúchos de Montenegro e Horizontina e em Catalão (GO).

Investimento. Em situação mais confortável está a CNH, do Grupo Fiat, dona das marcas Case e New Holland, de tratores agrícolas e colhedoras. Com o aporte recente de R$ 1 bilhão no complexo industrial em Sorocaba (SP), inaugurado há um ano, a empresa elevou em 8 mil unidades/ano a capacidade de fabricação. Segundo o diretor comercial para a América Latina da Case, Cesar Di Lucca, isso permitirá que a empresa atenda "com certa tranquilidade" um número maior de encomendas. "Além disso, estamos investindo US$ 100 milhões na construção de uma planta na Argentina, que também nos dará suporte."

A Santal, do segmento de máquinas e implementos para cana-de-açúcar, instalou nova unidade em Cravinhos, vizinho a Ribeirão Preto, sede da empresa. "Tivemos de aumentar a capacidade produtiva diante da demanda", diz o gerente de marketing e produtos, Marco Antônio Gobesso. A nova unidade recebeu aporte de R$ 1,5 milhão. A antiga produz mais veículos de transbordo (carretas que transportam a cana até a usina). "Para cada colhedora, são necessários quatro transbordos", explica Gobesso. A nova fábrica, que estará em pleno funcionamento em junho, terá capacidade para 20 colhedoras por mês.

Na unidade de Ribeirão, eram fabricadas cinco dessas máquinas por mês. A produção de veículos de transbordo passou de oito para 14 unidades por dia. Gobesso diz que a linha de produção de plantadoras também será ampliada no segundo semestre.

Tradicional fabricante de implementos agrícolas, a Jumil, com duas fábricas em Batatais (SP), investiu em melhorias no parque fabril e na contratação de mão de obra. Em 2010, vendeu cerca de 300 plantadoras de verão, principal item da marca. Este ano, a meta é vender entre 450 e 500, diz o presidente do conselho, Rubens Dias de Morais.

"Fizemos investimentos pontuais para acompanhar esse crescimento, mas a indústria segue um planejamento de longo prazo", afirma Morais. O faturamento da empresa deve crescer 30% em 2011. "Em 2010, o volume de negócios foi de R$ 140 milhões e, em 2011, a meta é chegar a R$ 190 milhões". A companhia possui 700 funcionários e emprega outras 250 pessoas terceirizadas.

Na Agrishow, o volume de propostas recebidas pela Jumil chegou aos R$ 35 milhões, ante R$ 25 milhões no ano passado. "É importante destacar que as exportações, sobretudo para a África, terão papel fundamental nessa expectativa de crescimento", diz Morais. Hoje, as exportações representam 20% da produção da Jumil e a meta é chegar a 30%.

Crescimento. Diretor-superintendente da fabricante de implementos e máquinas agrícolas Tatu Marchesan, de Matão (SP), João Carlos Marchesan diz que a companhia está preparada para o crescimento do mercado. "Temos capacidade produtiva bastante elástica. Na safra 2003/2004, a maior demanda da década, conseguimos atender a todos", diz o executivo. A empresa fabrica 20 plantadoras por dia, mas tem capacidade para 35. Implementos como subsoladores, roçadeiras e distribuidores de adubo somam 300 unidades por dia.

"Se a demanda explodir será difícil atender em tempo hábil", acredita o gerente de Exportação da Baldan, Aparecido Sydney Cândido. Ele diz que, por enquanto, a fábrica de implementos para preparo de solo, plantio e colheita de grãos, instalada em Matão (SP), tem capacidade para atender a demanda. "Renovamos máquinas recentemente e contratamos mais gente", diz Cândido. Ainda assim, o prazo entre o fechamento do pedido e a entrega da máquina passou de 40 para 60 dias, em média.

Algo parecido aconteceu com a Jacto, que fabrica pulverizadores e colhedoras de café em Pompeia (SP). Segundo o gerente comercial Valdir Martins, por causa de limitações do parque fabril, a espera por uma máquina pode demorar mais de 90 dias.

Líder no segmento de tratores de até 50 cavalos de potência, a Agrale, com unidade em Caxias do Sul (RS), informa que a perspectiva para 2011 é de produção de 2,1 mil a 2,2 mil unidades. "Em 2010, produzimos 1,9 mil tratores", informa o diretor de vendas, Flávio Crosa./ COLABOROU GUSTAVO PORTOC

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