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Venda de materiais de construção tem pior ano desde 2009

Depois de um 2014 frustrante, indústria espera crescer 1% neste ano, impulsionada pelo Minha Casa e por pequenas reformas

THIAGO MORENO , O Estado de S.Paulo

24 de janeiro de 2015 | 02h03

A indústria de materiais de construção enfrentou em 2014 o seu pior ano desde 2009. O setor encerrou dezembro com uma retração de 6,6% nas vendas e espera para este ano um aumento de apenas 1% acima da inflação, segundo estimativa da Associação Brasileira de Materiais de Construção (Abramat). Em 2009, quando os efeitos da crise financeira internacional ainda afetavam a economia, o recuo foi de 8,8%.

Grande parte do crescimento previsto para este ano deve vir do varejo, que, segundo projeção da Associação Nacional dos Comerciantes de Material de Construção (Anamaco), pode registrar um crescimento real de até 6%.

Com o cenário de desaceleração da construção civil, o setor de materiais deve ser impulsionado pelos "puxadinhos" e pelas pequenas reformas, diz o presidente da associação, Cláudio Conz. O temor dos consumidores com os reflexos da inflação e da alta do dólar pode, segundo ele, gerar uma antecipação das compras, beneficiando os varejistas.

Os fabricantes, por sua vez, estão mais conservadores depois de um 2014 frustrante. A Abramat iniciou o ano esperando alta de 4,5% nas vendas. O primeiro corte na projeção ocorreu em maio, quando baixou para 3%. A expectativa de expansão foi mantida, pois a associação acreditava na recuperação das vendas nos meses seguintes. Mas a melhora não ocorreu e ela teve de recuar.

Construção civil. O mercado imobiliário em queda está entre os principais fatores que prejudicaram o setor. Os resultados prévios das oito maiores incorporadoras do País divulgados nos últimos dias mostram uma queda de 5,7% no valor geral dos lançamentos, na comparação com 2013. É o quarto ano consecutivo de queda e isso afeta diretamente a indústria de material de construção.

A Saint-Gobain prevê um crescimento de 7% no faturamento, após uma expansão de quase 10% no ano passado. "Achamos que podemos crescer mais, mas preferimos nos ater a uma projeção conservadora", disse o presidente da companhia, Thierry Fournier. "O cenário brasileiro não é o melhor e tudo indica que teremos um período de ajustes."

Segundo Fournier, apesar da desaceleração no setor de construção civil, a companhia vai conseguir compensar a queda com seu segmento varejista. A empresa pretende abrir três fábricas no Brasil até o fim do ano, além de quatro lojas da marca Telhanorte. No total, a Saint-Gobain pretende investir cerca de R$ 550 milhões neste ano para melhorar sua competitividade e evitar o aumento de preços.

Para 2015, o presidente da Abramat, Walter Cover, diz esperar um crescimento real de 1% na comparação com 2014. Ele destacou a sua expectativa de manutenção dos incentivos do governo ao setor e de expansão dos investimentos no Programa Minha Casa Minha Vida. Além disso, afirmou que deverá haver uma melhoria no nível de atividade das construtoras, estabilidade nos níveis de emprego e renda e formação de um câmbio mais realista.

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