Venda de material de construção deve subir 15,7% em 2010

Expansão leva em conta o programa 'Minha Casa, Minha Vida', além da Copa do Mundo e das Olimpíadas

Chiara Quintão, da Agência Estado,

14 de dezembro de 2009 | 11h04

A Associação Brasileira da Indústria de Materiais de Construção (Abramat) estima que as vendas internas do setor crescerão 15,7% em 2010. A expectativa é de recuperação em relação ao desempenho apresentado este ano, informou a entidade nesta segunda-feira, 14. De janeiro a outubro, houve queda de 14,81% nas vendas e de 9% na produção, em relação ao mesmo período do ano passado.

A expansão esperada para o Produto Interno Bruto (PIB) da construção em 2010 é de 8,8%, para toda a cadeia. Conforme estudo realizado pela FGV Projetos a pedido da associação, até 2016 as vendas de materiais terão crescimento real (descontada a inflação) de 77,7%. A Copa do Mundo de 2014, as Olimpíadas de 2016, os investimentos habitacionais e a ampliação da infraestrutura do País são os fatores que puxariam a alta.

 

O presidente da Abramat, Melvyn Fox, avalia que a expectativa de crescimento de 15,7% para as vendas do segmento em 2010 é realista. "Estamos baseando essa projeção em fatos reais, já decididos", disse. A expansão esperada tem como base a produção de moradias para o programa habitacional "Minha Casa, Minha Vida", a retomada do consumo de materiais de construção pelas famílias, além da Copa do Mundo de 2014 e das Olimpíadas de 2016, segundo Fox.

 

"O primeiro semestre foi muito ruim para a indústria de materiais", afirmou Fox. Quando a crise financeira internacional se acirrou, em outubro de 2008, os estoques do varejo e das construtoras estavam em patamares acima da média, o que contribuiu para a queda das vendas da indústria. A retração do crédito para o consumidor no varejo até março também está entre os principais fatores para a redução das vendas pelos fabricantes de materiais.

 

Na semana passada, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) divulgou que o Produto Interno Bruto (PIB) da construção caiu 8,4% no terceiro trimestre, na comparação com o intervalo equivalente de 2008. De janeiro a setembro, a queda acumulada é de 9,1% ante o mesmo período do ano passado. Os números divulgados pelo IBGE refletem a produção física de materiais.

 

Na avaliação de Fernando Garcia, pesquisador da FGV Projetos e coordenador do estudo "Cenário macroeconômico 2009-2016", divulgado nesta segunda pela Abramat, o PIB medido pela produção física de materiais de construção deve crescer de 1,5% a 2% no quarto trimestre, e encerrar o ano 7% abaixo do registrado em 2008.

 

A redução apontada pelo PIB divulgado na semana passada já vinha sendo mostrada pelos números da Abramat até outubro. Mas essa queda não reflete a recuperação das atividades das construtoras este ano, como destacou o Sindicato da Indústria da Construção Civil do Estado de São Paulo (Sinduscon-SP) recentemente. O crescimento do PIB do setor de construção deve ser de 1% este ano, segundo cálculos da FGV realizados a pedido do Sinduscon-SP.

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