Venda de Natal cresce e consumidores preferem pagar à vista

Para a ACSP, levantamento mostra que a opção pelas vendas à vista foi reflexo da redução na oferta de crédito

Carolina Ruhman e Ana Luísa Westphalen, da Agência Estado

26 Dezembro 2008 | 14h25

Levantamento da Associação Comercial de São Paulo (ACSP) indica que as compras a prazo feitas pelo consumidor paulistano diminuíram neste Natal, na comparação com o ano passado, mas as compras à vista registraram expansão. A ACSP informou que a média das duas formas de pagamento registrou crescimento de 1,65% no movimento de vendas do setor entre os dias 1 e 25 de dezembro. A entidade comemorou o resultado, que mostra expansão ante o Natal de 2007, considerado o melhor dos últimos dez anos.  Veja também:Economia fraca derruba vendas no varejo dos EUADesemprego, a terceira fase da crise financeira global De olho nos sintomas da crise econômica Dicionário da crise Lições de 29Como o mundo reage à crise  De acordo com a pesquisa, o movimento de consultas ao Serviço Central de Proteção ao Crédito (SCPC), que refletem as vendas a prazo, caiu 1,4% em relação ao mesmo período de 2007. O resultado veio abaixo das previsões de expansão zero da ACSP. Já as consultas ao SCPC/Cheque, que indicam as vendas à vista, registraram alta de 4,7%. Para a ACSP, o levantamento mostra que a opção pelas vendas à vista foi um reflexo da redução na oferta de crédito. A associação ressaltou, porém, a influência do efeito calendário no resultado, já que este ano houve um dia útil a mais do que em 2007. O Indicador Serasa do Nível de Atividade do Comércio divulgou também que as vendas de Natal no varejo do País cresceram 2,8% entre os dias 18 e 24 de dezembro na comparação com o mesmo período do ano passado. Em 2007, a alta das vendas do comércio brasileiro na época do Natal foram mais expressivas: 5,3% ante o mesmo período do ano anterior. Na avaliação da Serasa, os juros altos e o maior endividamento levaram o consumidor a uma atitude mais cautelosa na hora da compra, principalmente em relação ao crédito e aos produtos de maior valor. Sondagem da Federação do Comércio do Estado de São Paulo (Fecomercio-SP) indica que o faturamento do setor no Natal cresceu 5% em relação ao resultado de 2007. A pesquisa, divulgada ouviu 90 lojistas da capital. O consumidor deu preferência aos artigos de vestuário e calçados, segmento que mostrou avanço mais expressivo nas vendas (6%). No caso dos duráveis, como eletroeletrônicos, a alta verificada foi de 2%. Na avaliação da Fecomercio-SP, o aumento da renda da população e do nível de emprego em 2008 garantiu o desempenho positivo do comércio neste Natal, que superou a expectativa dos empresários. Segundo a entidade, eles projetavam aumento de 4% no faturamento geral. A Fecomercio-SP ressalta, no entanto, que a queda na confiança do consumidor provocada pelos efeitos da crise financeira internacional influenciou diretamente o consumo. Shoppings Nos shoppings, as vendas cresceram 3,5% em comparação com o ano anterior. De acordo com os dados da Associação Brasileira de Lojistas de Shoppings (Alshop), que não revelou o valor das vendas, os dados, com inflação descontada, consideram o período entre 30 de novembro e 30 de dezembro. "O resultado ficou abaixo das expectativas, mas a base de comparação com 2007 era muito elevada", afirmou o presidente da entidade, Nabil Sahyoun. Segundo ele, o ano foi muito positivo para o setor até setembro, quando a crise internacional começou a se agravar. Para 2008, a Alshop estima um faturamento total de R$ 70,7 bilhões no setor de shoppings, aumento real de 6,4% em comparação com os R$ 66,2 bilhões registrados no ano passado. Em 2009, a entidade espera um avanço de 5,1% para R$ 74,3 bilhões. O executivo disse que os meses de janeiro e fevereiro serão positivos para as empresas em função das promoções e liquidações, e que março será como um termômetro das vendas de 2009. Crise A Alshop informou ainda que pretende negociar a redução dos direitos trabalhistas para evitar demissões em 2009, seguindo iniciativa do setor industrial. Conforme o presidente da entidade, os empresários vão buscar um diálogo com o governo neste sentido a partir de janeiro. "É preciso que as flexibilizações durem por no mínimo um ano, e não apenas três meses", disse. Ele também defendeu a reforma tributária e a redução das taxas de juros para facilitar a manutenção dos níveis de emprego no País. Segundo Sahyoun, o setor está evitando demissões até o final deste ano para avaliar melhor as perspectivas para 2009, e as decisões ficarão para janeiro. "Quem mais gera emprego no Brasil é o varejo e o setor de serviços. O governo tem feito muito pouco para ajudar estas empresas", disse.  Texto atualizado às 17h20 

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