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Venda de negócios de varejo do BTG pode exigir novos aportes do banco

Para manter a BR Pharma em pé, banco anunciou capitalização de R$ 600 milhões, mas trabalharia com hipótese de fatiamento da empresa; já a rede Leader sofre com endividamento e também dependeria de novo investimento antes de atrair interessados

Fernando Scheller, O Estado de S.Paulo

10 de dezembro de 2015 | 05h00

Entre os principais ativos de private equity (participações em empresas) do BTG Pactual, pelo menos dois são considerados um desafio dentro da “temporada de vendas” que a instituição está promovendo para tentar conter sua crise de liquidez: a BR Pharma, que reúne redes de farmácias, e a varejista popular Leader, que tem 167 lojas concentradas em São Paulo e no Rio (a conta inclui também a bandeira Seller). Segundo fontes de mercado, a venda desses negócios só sairia caso o banco estivesse disposto a fazer aportes nas duas companhias nesse momento de dificuldade.

No caso da BR Pharma, a necessidade do aporte é reconhecida. No mês passado, o BTG anunciou uma capitalização de R$ 600 milhões (a participação da instituição ficaria em torno de R$ 400 milhões). Parte do mercado pôs a operação em xeque após a prisão de Andre Esteves, ex-presidente da instituição, sob suspeita de tentar obstruir as investigações da Operação Lava Jato. O banco, no entanto, disse na segunda-feira que a capitalização estaria em pé.

No caso da Leader, o mercado trabalha com a hipótese de um eventual repasse da empresa a um novo dono, a custo zero. Os principais “candidatos” a ficar com o negócio seriam os antigos donos, a família Queiroz, que ainda mantêm fatia de 30% (o BTG controla o restante desde 2012). No entanto, o Estado apurou que a situação do negócio seria delicada e que um comprador só se disporia a ficar com a Leader caso o banco fizesse aporte na varejista.

Embora não tenha balanço divulgado ao mercado, segundo fontes os resultados da Leader pioraram em 2015, seguindo o restante do varejo. Porém, a situação da companhia seria especialmente delicada. As vendas por metro quadrado da varejista seriam equivalentes a um terço das registradas pela Marisa, rede que tem sido castigada pelo mercado financeiro.

Como a empresa não gera caixa – o Ebitda projetado pelo banco para o negócio em 2015 seria de R$ 37 milhões, segundo apurou o Estado – e sofre com endividamento, que superaria a marca de R$ 1 bilhão, uma fonte garante que um aporte considerável teria de ser feito para atrair interessados disposto a tocar o negócio adiante. O valor a ser aplicado seria semelhante ao da BR Pharma.

Apesar de o aporte na BR Pharma ter sido confirmado, o banco ainda trabalharia com outra hipótese. Dona de várias bandeiras de farmácias e terceira colocada no ranking do setor, a empresa pode ser vendida “em fatias”. O problema é que o interesse se concentraria na paraense Big Ben.

Caso decida seguir adiante com a estratégia de fatiamento do negócio e se desfaça da Big Ben, uma fonte explica que o banco ficaria só com ativos de performance da BR Pharma, dificultando ainda mais a recuperação do negócio com um todo. No mês passado, já dentro da estratégia de reorganização do negócio, o BTG vendeu a rede gaúcha Mais Econômica ao fundo Verti, por R$ 44 milhões.

Ações. Enquanto isso, o mercado continua a castigar as units (pacotes de ações) do BTG. Nesta quarta-feira, 9, o papel teve queda de 11,57%, fechando a R$ 13,22. Desde 25/11, data da prisão de André Esteves, o papel perdeu mais de 57% do valor. A BR Pharma, outro negócio que está na BM&F Bovespa, perdeu 23%.

Segundo fontes, o banco trabalha rápido para vender participações em empresas, negociando com vários interessados. Ativos como Estapar (estacionamentos) e Recovery (de recuperação de créditos) seriam os mais atraentes.

Procurado, o BTG não quis se pronunciar sobre a situação de BR Pharma e Leader.

 

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