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Venda de PCs populares impulsiona internet discada

Conexão por telefone à web cresceu 35% este ano apenas no Estado de São Paulo

Marianna Aragão e Elisangela Roxo, O Estadao de S.Paulo

23 de novembro de 2007 | 00h00

Embora cresça em ritmo menor que a banda larga, a internet discada está longe de se tornar peça de museu no Brasil. O acesso à rede por linha telefônica continua em expansão, de acordo com provedoras desse tipo de conexão. Segundo o iG, que tem 4 milhões de internautas e é líder de mercado em acesso discado, o número de usuários vem aumentando desde 2006. De janeiro a outubro deste ano, só no Estado de São Paulo, o crescimento foi de 35%. Nas regiões Norte e Nordeste, o aumento foi de 39%. Para o diretor de produtos e serviços do iG, André Molinari, a chegada de um novo público à internet - as classes C e D - é o principal motivo da expansão. "Com as taxas de juros e os preços dos computadores caindo, a população dessa faixa de renda está tendo a chance de entrar na rede." Os preços dos computadores no varejo caíram até 15% nos últimos 12 meses, fazendo com que as vendas crescessem 23%, segundo a Associação Brasileira da Indústria Elétrica e Eletrônica. "E a conexão discada acaba sendo a principal porta de entrada na internet", diz Molinari.No POP Internet, provedor gratuito do grupo de telefonia GVT, o número de usuários por conexão discada aumentou 20% desde 2005. "A internet discada continua crescendo, tanto nos grandes centros quanto no interior", afirma o gerente de produtos da empresa, Yves Van Hemelryck. Segundo ele, isso é reflexo do aumento da inclusão digital no País, principalmente na baixa renda.Além da entrada de novos internautas, o custo ainda pouco acessível da banda larga também explica o movimento. "Para quem usa 20, 30 minutos por dia, a internet discada é suficiente. Acaba ficando mais barata", diz Hemelryck. A professora aposentada Suzana Maria Spricigo fez essa opção há pouco mais de um mês, quando o filho saiu de casa e levou com ele a banda larga. "O jeito foi voltar para a conexão discada", diz Suzana. Fazendo as contas, ela viu que não compensava pagar pela velocidade da internet porque passa apenas cerca de uma hora por dia conectada. "Em casa, só vejo e-mails e faço pesquisas pessoais", diz ela, que entra na rede nos horários em que usar o telefone é mais barato, como após as 21 horas e nos fins de semana.O fotógrafo João Liberato de Souza Vidotto também é adepto da conexão discada por causa dos custos. Usuário desde 1995, até hoje nunca teve banda larga. Por isso, é considerado pelos amigos um bastião da internet discada. "Eu navego pouco, não preciso de mais velocidade", explica. POTENCIALO POP tem hoje 1,4 milhão de usuários de internet discada, ante cerca de 200 mil da linha de serviços de banda larga da GVT. Apesar do número de pessoas que usam a internet em alta velocidade crescer quase quatro vezes mais que os que utilizam a conexão discada - no terceiro trimestre de 2007, a expansão foi de 82% ante mesmo período de 2006 -, a companhia continua apostando no trio PC-modem-linha telefônica. "Há um potencial enorme para ser explorado nessa área", afirma Hemelryck.O executivo toma por base os dados de uma pesquisa do Centro de Estudos sobre as Tecnologias da Informação e da Comunicação (Cetic). De acordo com o estudo, 86% das residências brasileiras ainda não têm acesso à internet. "Pelo menos no médio prazo, não vai faltar público para a conexão discada." Segundo pesquisa do Cetic, 49% dos domicílios brasileiros com acesso à internet usam a conexão discada, enquanto a banda larga está presente em 40% dos domicílios (os outros 11% usam outro tipo de conexão ou não souberam responder). A banda larga, no entanto, deve crescer 30% este ano, chegando a 8 milhões de usuários.

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