Venda de produtos da linha branca cresce 30%

Problema da falta de produtos não atingiu todas as redes

Márcia de Chiara, Rodrigo Petry, Cleide Silva, O Estadao de S.Paulo

17 de junho de 2009 | 00h00

As vendas de eletrodomésticos da linha branca, que tiveram Imposto sobre Produto Industrializado (IPI) reduzido, cresceram no varejo até 30% em resposta à queda nos preços e alguns modelos de máquinas de lavar roupas e geladeiras já começaram a faltar nas lojas, informam varejistas.No Magazine Luiza, por exemplo, faltam geladeiras e máquinas de lavar, conta a presidente da rede, Luiza Helena Trajano. "A indústria já está aumentando sua produção para atender aos pedidos do varejo. Estamos com um crescimento médio de 25% dos produtos da linha branca que tiveram redução de IPI."Nas Lojas Cem, falta um ou outro modelo, principalmente de lavadoras, diz o diretor de Relações com o Mercado, Valdemir Colleone. "Não chega a ser um desabastecimento." A maior dificuldade ocorre nos modelos de eletrodomésticos intermediários, como lavadoras de 10 quilos, cita o executivo. Ele conta que, após o corte no IPI, as vendas da rede cresceram 30% em maio ante o mesmo mês de 2008.A dificuldade de abastecimento não atinge todas as redes. As Casas Bahia, maior varejista do setor, informam que não faltam produtos da linha branca e que têm estoques para 30 dias.O Wal-Mart, que registrou um acréscimo de 30% nos itens da linha branca desde o corte de IPI, informa que está abastecido, mas ressalta que o prazo para atender os novos pedidos colocados pelo varejo está maior.Para o diretor das Lojas do Baú, Décio Thomé, com a substituição tributária para os eletrodomésticos que passaram a recolher, a partir deste mês, imposto na indústria, aumentou a burocracia. E, segundo, essa mudança está emperrando o fluxo de mercadorias. "Para a minha rede não existe falta de produto. Nem pontual."INDÚSTRIA"Faltando produto não está, mas todos os varejistas estão pedindo na mesma hora", conta Patricio Mendizábal, presidente da Mabe, donas das marcas GE e Dako. Segundo ele, no caso de alguns modelos de geladeiras e lavadoras, a entrega leva entre dois a quatro dias, o que significa de um a dois dias de atraso do produto para o varejo. "Os estoques estão baixos e estamos acelerando a produção com horas extras."Lourival Kiçula, presidente da Eletros, que reúne a indústria de eletrodomésticos, admite que possa ocorrer a falta de um ou outro modelo. "Mas o abastecimento está absolutamente normal." Segundo ele, o varejo trabalhou com estoques baixos no primeiro trimestre e a indústria com nível baixo de produção. Com o corte de IPI, as vendas cresceram 20% em maio e começou a corrida para repor os estoques."A indústria de eletrodomésticos não estava preparada para o grande aumento de vendas que se verificou após a redução do IPI", disse ontem o ministro do Desenvolvimento, Miguel Jorge. Ele acha que o setor repetiu o erro da indústria automobilística. Quando houve a redução do IPI, as montadoras tinham mais de 300 mil veículos em estoque. Muitas fábricas deram férias coletivas por longos períodos e, com o aquecimento das vendas, faltaram produtos.

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