Venda de títulos mostra confiança do mercado, diz Sardenberg

O secretário-adjunto do Tesouro Nacional, Rubens Sardenberg, avaliou que a forte demanda dos investidores pelos títulos nos dois leilões de ontem é um sinal de que não há crise de confiança com relação aos papéis do Tesouro. Na sua avaliação, o resultado dos leilões reforça a percepção de que não há problemas de crédito para os títulos do Tesouro. "Há tomadores para a nossa dívida", disse Sardenberg. Em entrevista à Agência Estado, o secretário revelou que a demanda pelos papéis do Tesouro chegou a R$ 3,5 bilhões em cada um dos dois leilões. "Nós tivemos uma agradável surpresa com a demanda pelas LFTs", admitiu.No primeiro leilão, o Tesouro ofertou 500 mil LFT (títulos pós-fixados) com dois vencimentos: 18/12/2002 e 22/01/2003. Como a demanda foi expressiva, o Tesouro aproveitou a oportunidade e, no início da tarde, ofertou mais 1 milhão de LFTs com os mesmos vencimentos. A LFT com vencimento ainda esse ano foi vendida até mesmo com ágio. Com a decisão da última segunda-feira do Comitê de Política Monetária (Copom) de elevar a taxa Selic de 18% para 21% ao ano, o Tesouro deixou de ofertar títulos prefixados (LTN), que vinham sendo vendidos nos últimos meses, e voltou a ofertar as LFTs. Com a elevação dos juros básicos, há naturalmente uma redução da demanda por títulos prefixados e elevação dos prêmios pedidos pelo mercado para comprar esses papéis."Nós sabíamos que, em momentos como esse, no mercado os prêmios pelas LTNs sairiam muito elevados. Nessas situações, as LFTs são mais bem aceitas porque têm proteção em relação às oscilações da taxa de juros", ponderou o secretário, ressaltando que o Tesouro vendeu ontem a LFT com vencimento em 2003 a uma taxa inferior a da Andima. Segundo ele, o valor financeiro da venda dos 1,5 milhão de LFTs ofertados nos dois leilões de ontem foi de R$ 2 bilhões. Sardenberg destacou ainda que há um potencial grande de demanda pelos títulos do Tesouro. Segundo ele, os problemas atuais estão vinculados à volatilidade do mercado ligada ao processo eleitoral. Passada essas turbulências pré-eleitorais, Sardenberg acredita que a demanda se fortalecerá.?Se mesmo nessa conjuntura conseguimos vender ontem R$ 2 bilhões em títulos, sendo grande parte com vencimento em 2003, por qual razão, uma vez passado o processo eleitoral, com os compromissos assumidos pelos candidatos, não voltaremos a ter demanda?", questionou o secretário. Sardenberg discordou da avaliação do editorial do jornal Financial Times, publicado ontem, de que o próximo governo não poderá furtar-se a considerar se deve impor controles cambiais parciais ou até mesmo reestruturar as dívidas brasileiras. Para ele, essa análise é equivocada e revela "ignorância do que acontece no Brasil". "Esses R$ 2 bilhões de títulos que foram vendidos mostram que a percepção é muito diferente", ponderou ele, lembrando que a dívida interna brasileira está na mão de investidores locais e é paga em reais. "Se houvesse aversão e desconfiança, não estaríamos vendendo os títulos", ressaltou. Segundo ele, há uma comparação equivocada da dívida brasileira com a de outros países, que têm dívida que é paga em dólar e cujos detentores são investidores estrangeiros. "Esse absolutamente não é o nosso caso". Sardenberg insistiu que a dívida interna brasileira "não é um problema" e que não há risco do próximo governo ser obrigado a reestruturá-la. "Não tenho dúvida. Não há o menor risco de isso acontecer", afirmou. "Quem vai assumir o governo terá recursos em caixa e o mercado brasileiro local tem condições de absorver tranquilamente os títulos que estão vencendo".

Agencia Estado,

16 de outubro de 2002 | 12h12

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