Roosevelt Cassio/Reuters
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Dan Kawa: Separar o ruído do sinal é a única forma de investir corretamente daqui para a frente

Com produção fraca, montadoras ampliam programas de corte de trabalhadores

Produção de veículos encolheu 21,8% em agosto na comparação com igual período do ano passado; segundo presidente da Anfavea, dado torna 'inevitável a redução do quadro de pessoal'

Cleide Silva, O Estado de S.Paulo

04 de setembro de 2020 | 12h26
Atualizado 04 de setembro de 2020 | 19h06

A produção de veículos em agosto foi 21,8% menor do que a de igual mês do ano passado, com 210,9 mil unidades, confirmando os efeitos da pandemia do coronavírus sobre o setor, apesar de uma melhora em relação a julho. No ano, as montadoras produziram até agora 1,1 milhão de unidades, incluindo caminhões e ônibus. São 900 mil unidades a menos do que em igual período de 2019, ou o equivalente a quatro meses de produção. Com elevada ociosidade, as fábricas ampliam programas de corte de pessoal, que devem se intensificar nos próximos meses.

O presidente da Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea), Luiz Carlos Moraes, disse nesta sexta-feira, 4, ao apresentar os dados do setor em agosto, ser “inevitável a redução do quadro de pessoal, considerando o volume interno menor e a redução do volume interno e da queda das exportações”. Nos oito meses deste ano, as vendas caíram 35%, para 1,16 milhão de unidades, volume que, em 2019, foi atingido em cinco meses. São 628 mil veículos a menos. As exportações tiveram recuo de 41,3%, somando apenas 176,7 mil unidades.

Na próxima semana é esperado um grande tombo em relação aos empregos no setor, pois deve ser anunciado o resultado das negociações que a Volkswagen e os sindicatos de trabalhadores das quatro fábricas do grupo no País realizam há quase três semanas para um corte de 35% da mão de obra. Esse é o excedente que a empresa informa ter, o que equivale a cerca de 5 mil funcionários.

O presidente da companhia, Pablo Di Si, afirmou nesta sexta que a produção da marca caiu 44% neste ano, para 186 mil automóveis e comercias leves – quase a mesma proporção do mercado total –, o menor volume em quase 20 anos. “Não esperamos uma recuperação significativa nos próximos cinco anos e temos de adequar a mão de obra à demanda do mercado”, disse.

O executivo lembrou que a empresa já adotou medidas de flexibilização como férias coletivas, redução de jornada e salários e lay-off e analisa todas as ferramentas nas negociações. Uma nova reunião está marcada para terça-feira. “É certo que não vamos demitir de um dia para o outro, mas temos senso de urgência pois não é sustentável trabalhar com apenas 43% de uso de capacidade”. O grupo emprega cerca de 15 mil trabalhadores nas três fábricas de São Paulo e uma no Paraná.

Cortes na pandemia

Durante a pandemia as montadoras já eliminaram 4,1 mil vagas e hoje empregam 121,9 mil trabalhadores. Numa conta direta, significa que cada funcionário produziria neste ano 16 veículos, levando em conta a produção prevista até dezembro, de 1,63 milhão de unidades. Em 2010, foram 28 veículos por trabalhador. “Ninguém gosta de demitir, até porque é uma mão de obra qualificada, mas haverá redução no futuro própria”, afirma Moraes, da Anfavea.

Mesmo com a redução de vendas na maioria dos países, em especial na América Latina, as montadoras têm buscado formas de melhorar as vendas externas. Nesta semana, Moraes esteve com o ministro da Economia Paulo Guedes, para discutir um programa de financiamento às exportações, por meio do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), que valeria também para outros setores. A ideia é uma linha para financiar o comprador.

Segundo Moraes, com a crise da pandemia da covid-19 vai aumentar ainda mais a ociosidade global das fábricas e a indústria brasileira, por causa da falta de competitividade em razão do chamado custo Brasil, pode perder os poucos mercados que ainda têm na América do Sul.

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