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Venda de veículos novos deve ter a maior queda desde 1987

Segundo a Fenabrave, vendas devem recuar 27% neste ano; para 2016,entidade prevê redução de 5%

Cleide Silva, O Estado de S.Paulo

18 de novembro de 2015 | 02h03

O ano deve terminar com uma queda de 27% nas vendas de veículos novos, o maior porcentual de retração no mercado brasileiro desde 1987. O desempenho do setor deve continuar negativo em 2016, com novo recuo de 5% na comercialização de automóveis, comerciais leves, caminhões e ônibus, segundo previsões da Federação Nacional da Distribuição de Veículos Automotores (Fenabrave).

De janeiro até a primeira quinzena deste mês, a queda acumulada nas vendas é de 24,7%, com 2,254 milhões de unidades. Na primeira metade de novembro, os negócios somam 108,5 mil unidades, 8,2% melhor que em igual período de outubro (em razão de um dia útil a mais), mas 32,5% abaixo de um ano atrás.

Para o ano todo, a Fenabrave prevê 2,539 milhões de licenciamentos, número similar ao esperado pelas montadoras. Esse volume será 27,4% menor que o de 2014. Queda tão significativa não ocorria há 28 anos, quando o mercado brasileiro despencou 33%, de 866,7 mil veículos em 1986 para 580 mil em 1987.

Com o fraco desempenho deste ano, mais de 400 revendas fecharam as portas (diferença entre lojas fechadas e inauguradas) e 26 mil funcionários foram demitidos, informa o presidente da Fenabrave, Alarico Assumpção. Se o quadro de incertezas persistir, os cortes podem chegar a 40 mil funcionários até meados de 2016, calcula ele. O setor empregava 410 mil pessoas em janeiro.

"A falta de confiança do consumidor está gritante, assustadora", diz o executivo. Além disso, segundo ele, há uma seleção muito rigorosa por parte dos bancos para liberar crédito. "De cada dez propostas, apenas três são aprovadas."

Assumpção só vê possibilidades de melhora no próximo ano se ocorrer a aprovação do programa de renovação da frota para caminhões e automóveis. Proposta nesse sentido está nas mãos do governo federal há vários meses.

"Se for mantida a situação atual, com as questões políticas deteriorando ainda mais a economia, mais lojas vão fechar e haverá novos cortes de pessoal", prevê o executivo.

Decisão de compra. A crise afeta fortemente a decisão de compra. Pesquisa nacional feita pela Route Automotive mostra que 56% dos entrevistados que pretendiam comprar um carro novo neste ano desistiram do negócio.

Eles apontam como razões o medo de fazer dívida num momento de instabilidade econômica (34,7%), inflação e juros altos (23,6%) e receio de perder o emprego (21,2%).

A pesquisa ouviu 512 consumidores e foi feita entre agosto e setembro. Mesmo quem conseguiu comprar o automóvel abriu mão de outras coisas como viagens (35,6%), lazer e gastos em geral (17,8%) e outros bens (15,6%).

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