Venda do controle, nem pensar

Comando da Aeronáutica afirmou em nota que a Embraer é 'estratégica e fundamental para a soberania nacional'

Roberto Godoy, O Estado de S.Paulo

21 Dezembro 2017 | 23h28

Tudo bem quanto a uma parceria entre dois grandes protagonistas do mercado aeronáutico, a americana Boeing e a brasileira Embraer. Já a transferência do controle acionário, uma venda, em análise objetiva, é pecado mortal – não vai acontecer. A golden share, a ferramenta que dá ao governo do Brasil o poder de veto nas decisões da companhia, é exercida nas assembleias pelo Comando da Aeronáutica. Ontem, a organização foi bem clara. Em nota, afirmou que a Embraer é “estratégica e fundamental para a soberania nacional”. Na linguagem cuidadosa adotada por todos os envolvidos nas negociações, é uma declaração inequívoca: aquisição, nem pensar.

Mas há outros modos e modelos de combinação. É claro o interesse da Boeing na segunda geração dos E-Jets da Embraer, jatos comerciais de até 145 lugares que chegam aos clientes entre 2018 e 2019 recheados de novas tecnologias. O gigante de Seattle não tem aeronaves regionais em seu catálogo. O principal concorrente mundial, a europeia Airbus, assumiu a maioria da canadense Bombardier, fabricante dessa classe de produtos e velha rival dos brasileiros. Mais que isso, o novo cargueiro e reabastecedor em voo, o jato KC-390, começa a sair também em 2018 da linha de Gavião Peixoto (SP). Com capacidade para levar pouco mais de 23 toneladas a preço interessante, vem atraindo clientes internacionais interessados em transportadores militares de médio porte.

Embraer e Boeing já mantêm bons acordos de colaboração em produtos de Defesa. No programa do KC-390, a parceria estabelece “o compartilhamento de conhecimentos técnicos específicos e a avaliação conjunta de mercados onde (as empresas) poderão estabelecer estratégias de vendas no segmento de aeronaves de transporte militar de médio porte”. É um bom começo.

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