Venda do Dia da Criança deve crescer só 1,5%

Venda do Dia da Criança deve crescer só 1,5%

Confederação Nacional do Comércio calcula que o comércio varejista brasileiro deverá movimentar R$ 7,4 bilhões na data

Márcia De Chiara, O Estado de S.Paulo

05 Outubro 2018 | 04h00

Apesar de a inflação dos preços de produtos e serviços mais consumidos no Dia da Criança estar no menor nível em 17 anos, o crescimento de vendas esperado para a data em 2018 é pequeno e abaixo do alcançado no ano passado.

A Confederação Nacional do Comércio (CNC) calcula que o comércio varejista brasileiro deverá movimentar R$ 7,4 bilhões neste Dia da Criança, com um avanço real de apenas 1,5% em relação à receita obtida na mesma data em 2017. Se a previsão se confirmar, o crescimento será cerca de um ponto porcentual menor que o de 2017. O resultado é importante pois as vendas do Dia da Criança são uma prévia do Natal, que concentra a maior parte do faturamento do varejo nacional.

“Mesmo com menor variação de preços dos itens associados à data comemorativa em 17 anos, a aversão ao endividamento por parte das famílias deve reduzir o ritmo de crescimento de vendas”, afirma o economista-chefe da CNC, Fabio Bentes, responsável pela projeção.

Para fazer o estudo, ele considerou a evolução dos preços de 11 produtos e serviços mais vendidos na data, como brinquedos, roupas, doces, entretenimento, entre outros, e concluiu que, em 12 meses até setembro, o valor dessa cesta aumentou 2,4%. Foi a menor variação de preços da cesta desde 2001, que havia sido de 4,3%.

Na avaliação do economista, nem inflação menor nem taxa de juros mais baixa serão capazes de puxar para cima as vendas de forma vigorosa porque o desemprego em nível elevado é um inibidor das compras financiadas. E as compras a prazo respondem pela maior fatia do faturamento do varejo.

Outro fator que tirou o vigor do crescimento da economia, especialmente do comércio neste ano, foi a greve dos caminhoneiros. Até abril, as vendas do varejo ampliado, que inclui veículos e materiais de construção, cresciam na faixa de 8% em relação ao mesmo período do ano passado. E, de maio em diante, o ritmo caiu 50%.

Eleições

Segundo Bentes, a incerteza eleitoral e o fato de a data comemorativa cair entre o primeiro e o segundo turnos da eleição presidencial também devem afetar negativamente as vendas. Nas projeções da CNC, as lojas de hiper e supermercados devem ter o melhor desempenho de vendas na data, com alta projetada de 3,3%. O motivo é que essas lojas conseguem ter preços mais competitivos.

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