Venda do Grupo Rede pode parar na Justiça

Se a falência for decretada, controlador do grupo pode responsabilizar Copel e Energisa

Wellington Bahnemann / Rio, O Estado de S.Paulo

11 de junho de 2013 | 02h08

Uma disputa jurídica envolvendo o Grupo Rede e o consórcio Copel/Energisa pode estar a caminho caso o plano de recuperação judicial da empresa não seja aprovado na próxima assembleia dos credores, marcada para o dia 3 de julho. "A Copel e a Energisa estão correndo um risco. Se isso terminar na falência da empresa, o problema será deles", afirmou uma fonte ligada ao grupo que acompanha de perto o processo.

O plano de recuperação judicial do Grupo Rede foi apresentado em março, baseado no acordo de compra e venda das holdings do grupo para a CPFL Energia e a Equatorial. As duas elétricas se comprometeram a comprar a companhia por R$ 1 e assumir as obrigações do grupo com os credores, injetando até R$ 1,8 bilhão para a recuperação operacional e financeira. O plano prevê deságio de até 85% no valor dos créditos.

Essa era a única proposta em mãos dos credores até que a Copel e a Energisa apresentaram uma oferta de R$ 3,2 bilhões pelos ativos operacionais (oito distribuidoras e uma geradora) do Grupo Rede na última quarta-feira. Essa proposta não inclui a compra das holdings do grupo, em recuperação judicial. Copel e Energisa informaram que se dispõem a pagar R$ 1,8 bilhão pelos ativos e desembolsar mais R$ 1,4 bilhão para assumir todas as obrigações das concessionárias e para substituir as fianças e avais concedidos pelas holdings às distribuidoras.

O surgimento da segunda oferta trouxe um novo rumo às discussões sobre futuro do Grupo Rede, dificultando a aprovação do plano de recuperação.

A assembleia de credores realizada no dia 5 de junho foi suspensa para que os envolvidos tivessem tempo de analisar as duas propostas antes de decidir se aprovam ou não o plano de recuperação preparado pelo Grupo Rede, CPFL e Equatorial.

Segundo fontes ligadas ao Grupo Rede, a venda dos ativos operacionais levaria à liquidação das holdings do grupo. Isso porque essas companhias não teriam condições de fazer frente às obrigações com seus credores.

Para efeito de comparação, a lista de credores do processo de recuperação judicial informa que os créditos quirografários (sem garantias reais) totalizam R$ 3,142 bilhões em moeda local e US$ 655,30 milhões denominados em dólar. Já os créditos com garantia real somam R$ 838,86 milhões. Ou seja, o valor de R$ 1,8 bilhão proposto por Copel e Energisa seria insuficiente para todos esses compromissos.

Falência. Caso o plano de recuperação judicial seja rejeitado por causa da nova oferta e o Grupo Rede tenha a falência decretada pela Justiça de São Paulo, a fonte afirmou que o controlador da companhia, o empresário Jorge Queiroz, poderia responsabilizar judicialmente Copel e Energisa. "Isso é algo sério, porque estamos falando de quantias enormes. Eles estão obstruindo uma solução que já estava negociada e pronta."

A fonte ouvida pelo Broadcast, serviço em tempo real da Agência Estado, disse que os credores não são obrigados a aprovar o plano de recuperação e podem optar pela falência do Grupo Rede. "Isso é um direito deles. Agora, se um terceiro aparece e propõe algo inconsistente, eles podem ser responsabilizados por isso (a falência)", afirmou a fonte.

Em entrevista na última sexta-feira, o vice-presidente de assuntos corporativos da CPFL Energia, Ricardo Zangirolami, disse que a companhia está confiante de que os credores aprovarão o plano de recuperação judicial.

Apesar da ameaça de uma disputa judicial, a proposta de Copel e Energisa foi bem-vinda por credores, principalmente pelos detentores das notas perpétuas do Rede, que são basicamente estrangeiros. Em entrevista recente, o diretor-presidente da Energisa, Ricardo Botelho, disse que a oferta do seu consórcio é mais vantajosa por pagar R$ 1,4 bilhão a mais aos credores do que o proposto pela CPFL e Equatorial. "Além de ter grandes vantagens para os credores, nossa proposta é mais clara, mais simples e mais transparente. Caberá aos credores tomar a decisão sobre o destino dos recursos disponibilizados a eles. O que estamos fazendo é desonerar as holdings e pagando pelos ativos", resumiu Botelho.

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.