Venda do Speedy será suspensa até regularização do serviço

Decisão da Anatel determina multa de R$ 15 milhões caso a empresa não apresente soluções para o serviço

Giuliana Vallone, do estadao.com.br, e Leonardo Goy, da Agência Estado,

22 de junho de 2009 | 09h57

A Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) decidiu suspender a venda de novas assinaturas do serviço de banda larga Speedy, da Telefônica, como forma de punição pelas recentes interrupções no serviço apresentadas pela companhia. Até por volta das 10 horas da manhã, porém, a companhia continuava oferecendo o serviço.

 

A decisão, publicada nesta segunda-feira, 22, no Diário Oficial da União, determina que a Telefônica apresente, em 30 dias após a notificação da decisão, um plano para garantir a disponibilidade do Speedy. Segundo a Anatel, a publicação da decisão na imprensa oficial já tem valor de notificação, o que significa que a comercialização do Speedy nesta manhã já representa o descumprimento da decisão.

 

A venda das assinaturas poderá ser retomada assim que a Telefônica demonstrar que tomou as medidas necessárias para regularizar o serviço. Caso descumpra as determinações, a empresa terá de pagar multa de R$ 15 milhões, mais R$ 1 mil para cada assinatura vendida.

 

Além disso, o texto publicado no Diário Oficial determina que a Telefônica informe aos interessados na aquisição do Speedy o seguinte: "em razão da instabilidade da rede de suporte ao serviço Speedy, a Anatel determinou a suspensão, temporariamente, da sua comercialização".

 

Em nota, a Telefônica afirma que tomou conhecimento da decisão por meio da publicação no Diário Oficial. "A empresa informa que não tem conhecimento dos termos do processo em trâmite na Anatel e ainda não recebeu cópia de seu informe e da fundamentação do ato", diz.

 

"Por esta razão, a Telefônica aguardará o recebimento oficial para analisar o teor da decisão, considerando as implicações para seus clientes, empregados, fornecedores e acionistas, antes de se pronunciar de maneira mais ampla sobre o tema." A companhia ressalta que a decisão não causará impacto ou interromperá os serviços prestados aos atuais usuários do Speedy.

 

Panes

 

A Telefônica enfrentou cinco panes nos seus serviços de telefonia fixa e banda larga nos últimos 12 meses. A mais recente, na telefonia, aconteceu na última terça-feira. Às 9h, os telefones deixaram de fazer e receber chamadas. De acordo com a própria companhia, 95% dos casos foram resolvidos até as 11h30. Alguns clientes, porém, ficaram o dia todo sem telefone.

 

A maior pane do Speedy aconteceu em julho de 2008, quando os clientes da banda larga da Telefônica a ficaram sem serviço por 36 horas. A empresa apontou o defeito em um roteador (equipamento responsável pelo controle do tráfego de internet) em Sorocaba (SP) como a causa do problema.

 

No começo de abril, o Speedy sofreu outra pane, ficando instável por vários dias. Naquela ocasião, a Telefônica apontou a ação de criminosos virtuais como a causa do problema. No mês passado, houve um novo apagão do Speedy, que atingiu usuários em vários pontos do Estado por várias horas.

 

Dias depois, o presidente da Telefônica, Antonio Carlos Valente, pediu desculpas públicas. "A gente reconhece que tem problemas, e publicamente pede desculpas", afirmou Valente na ocasião. "É algo que não gostaríamos que tivesse acontecido, e que causa transtornos."

 

Os problemas de abril e de maio foram muito parecidos. A Telefônica enfrentou instabilidade em seus servidores de nome de domínio (DNS, na sigla em inglês). Essas máquinas transformam os nomes de sites digitados pelos usuários em endereços numéricos usados pelo protocolo de internet, responsável pelo funcionamento da rede mundial.

 

No começo do mês, a Telefônica entregou à Anatel um laudo do CPqD (centro de pesquisas que fazia parte da Telebrás) sobre os motivos da pane de abril. O laudo apontou como causa "ações deliberadas e de origem externa" e problemas de software e de configuração de sistemas. A empresa informou que iria tomar uma série de medidas, sugeridas pelo CPqD, para reduzir a possibilidade de esses problemas voltarem a acontecer.

 

Texto atualizado às 12h09

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