SEBASTIÃO MOREIRA/AE
SEBASTIÃO MOREIRA/AE

Vendas do comércio recuam em outubro

Queda foi de 0,9% em relação a setembro; especialistas afirmam que resultado foi afetado pela expectativa de promoções da Black Friday

Daniela Amorim e Maria Regina Silva, O Estado de S.Paulo

13 Dezembro 2017 | 09h10

RIO E SÃO PAULO – As famílias brasileiras deram uma trégua nas compras em outubro. As vendas no varejo recuaram 0,9% em relação a setembro, segundo Pesquisa Mensal de Comércio divulgada nesta quarta-feira, 13, pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

O resultado veio próximo às expectativas dos economistas mais pessimistas, enquanto os analistas ouvidos pelo Projeções Broadcast esperavam um avanço médio de 0,20%. A avaliação é que os consumidores adiaram novos gastos à espera das ofertas da Black Friday, campanha de promoção de vendas no varejo celebrada no último dia 24 de novembro.

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“Não teve nada que justificasse essa queda, então eu creditei a um tropeço. O comércio está se recuperando, mas o crescimento não é monotônico. Essa queda de curtíssimo prazo não me preocupa”, declarou Fabio Bentes, chefe da Divisão Econômica da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC).

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No varejo ampliado, que inclui as atividades de veículos e material de construção, a queda chegou a 1,4% em outubro ante setembro. A CNC, porém, prevê que as vendas encerrem o ano de 2017 com uma expansão de 3,7% em relação a 2016.

“Não vimos enfraquecimento de nenhum condicionante em outubro. As condições de emprego, renda e crédito continuaram melhorando. Não tem motivo para acreditar que essa queda de fato representa um arrefecimento do consumo. É pontual”, corroborou o economista João Morais, da Tendências Consultoria Integrada.

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Segundo a pesquisadora Isabella Nunes, gerente na Coordenação de Serviços e Comércio do IBGE, a expectativa pela Black Friday já afetou as vendas de outubro em anos passados, assim como as do mês de dezembro. Em outubro, tem ocorrido redução da demanda por conta da expectativa pelas promoções anunciadas.

Volatilidade. “Essa volatilidade no varejo é normal e ainda deve continuar até termos crescimento mais sólido em 2018”, previu o economista-chefe da MB Associados, Sergio Vale.

Apesar do recuo nas vendas na passagem de setembro para outubro, o avanço no volume vendido acumulado em 12 meses comprova que permanece a tendência de recuperação do varejo, defendeu Isabella Nunes.

A alta de 0,3% nas vendas do varejo em 12 meses até outubro interrompeu uma sequência de 29 meses de taxas negativas. No varejo ampliado, o crescimento de 1,4% deu fim a uma sequência de 37 meses de quedas.

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