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Venda do varejo tem forte alta em janeiro

Aumento da renda do trabalhador e dos níveis de emprego mantém aquecida a demanda; expansão foi de 2,6% em relação a dezembro

DANIELA AMORIM / RIO, O Estado de S.Paulo

24 de março de 2012 | 03h05

As vendas no varejo mostraram vigor em janeiro, apontando que a demanda interna deve se manter aquecida ao longo do ano. O crescimento do volume vendido pelo comércio foi de 2,6% em relação a dezembro. Na comparação com janeiro de 2011, o aumento foi de 7,3%, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

O aumento da renda do trabalhador e o mercado de trabalho forte voltaram a impulsionar as vendas de hipermercados e supermercados. Em janeiro, o volume de vendas do setor subiu 7,6%, na comparação com o mesmo mês de 2011, o equivalente a 49,5% da taxa do varejo no período.

"A renda ajudou numa recuperação no setor de supermercados, mas tem outro fator também, que é o preço. Os preços dos alimentos desaceleraram", lembrou Reinaldo Pereira, gerente da Coordenação de Serviços e Comércio do IBGE.

O resultado do varejo, aliado ao recuo de 2,1% na produção industrial no mesmo período, trouxe novamente à tona a questão de uma demanda interna aquecida, porém atendida pelas importações. Diante desse cenário, o Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) espera que o Produto Interno Bruto brasileiro volte a ser puxado pelo consumo das famílias no primeiro trimestre.

"O impulso da demanda em 2012 vai ser parecido com o do ano passado, mas a indústria não pôde usufruir à época. Este ano, esperamos que, com o ajuste dos estoques e a queda nos juros, a indústria possa voltar a aproveitar a demanda", avaliou Leonardo Carvalho, analista do Ipea.

No varejo ampliado, que inclui os setores de veículos e de material de construção, houve aumento de 7,7% nas vendas, em relação a janeiro de 2011, com uma contribuição de 39,8% do setor de hipermercados e supermercados.

O reajuste de 14% no salário mínimo ainda não foi sentido nas vendas no varejo em janeiro, porque os empregados só recebem efetivamente o salário pelo mês trabalhado no início de fevereiro. Portanto, a alta da renda pode beneficiar também as próximas leituras do indicador.

"O varejo segue basicamente a evolução do rendimento médio real, que tem um cenário benigno pela frente com o aumento do salário mínimo. Há dependência também do mercado de trabalho, mas o desemprego segue este ano com taxas historicamente baixas", lembrou Carvalho.

Automóveis. Se por um lado os alimentos contribuíram para o bom resultado do comércio, os automóveis prejudicaram. O desempenho do varejo ampliado (1,4%) foi mais modesto do que o verificado no varejo restrito (2,6%) por causa da queda de 2,9% no setor de veículos, na passagem de dezembro para janeiro.

"Os números refletem o que a Fenabrave (Federação Nacional da Distribuição de Veículos Automotores) já tinha mostrado. Janeiro não foi um bom mês para o setor de veículos", acrescentou Pereira.

Entretanto, os resultados do varejo como um todo sinalizam um desempenho favorável do consumo das famílias nesta primeira metade do ano, apontou a Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC).

A avaliação é de que haja um crescimento forte dos produtos não duráveis nos próximos meses, puxado por um impacto maior do salário mínimo. Mas as vendas de bens duráveis só voltam a reaquecer no segundo semestre.

"Esperamos nesse primeiro semestre uma retomada desse crescimento (no varejo), mas não tão forte. Essa alta de 2,6% não deve se repetir no curto prazo. A partir do segundo semestre, esperamos que esses estímulos monetários e fiscais tenham um efeito maior e resultem num consumo mais forte", disse Bruno Fernandes, economista da CNC.

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