Vendas caem 30% e Kia Motors fecha 55 revendas

Maior importador do País, grupo vai vender 16 mil carros neste ano e projeta para 2016 um mercado total de 2 milhões de veículos

Cleide Silva, O Estado de S.Paulo

09 de dezembro de 2015 | 09h10

A Kia Motors, maior importadora de veículos do País, deve registrar este ano queda de mais de 30% nas vendas em relação a 2014, para 16 mil unidades. O grupo Gandini, representante da marca coreana, chegou a vender 77 mil carros em 2011, mas, desde então, os negócios registram baixas consecutivas, o que levou ao fechamento de 55 revendas nos últimos meses.

O grupo opera hoje com 125 concessionárias em todo o País, mas já teve 180, informa José Luiz Gandini, presidente da Kia Motors do Brasil.

Os negócios da marca já estavam em baixa desde 2012 – quando o governo estabeleceu uma taxação extra de 30 pontos porcentuais de Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) para carros importados –, e se agravaram neste ano com a forte valorização do dólar em relação ao real, que já acumula 43% de alta.

Ao todo, o mercado de carros importados caiu 34,8% de janeiro a novembro, para 55.058 unidades, segundo a Associação Brasileira das Empresas Importadoras e Fabricantes de Veículos Automotores (Abeifa). Já as vendas de veículos novos nacionais apresentam, no mesmo período, retração de 23,7%, para 1,964 milhão de unidades, de acordo com a Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea).

Cotas. A medida que estabeleceu a sobretaxação do IPI também estipulou, para todas as marcas, cota de 4,8 mil veículos que podem ser importados sem o tributo extra. A Kia é a única marca que extrapolou o limite, pagando assim alíquota maior de IPI (de 37% a 55%), mas, segundo Gandini, “não dá mais para vender fora da cota”.

Ele afirma que o grupo opera com “grande prejuízo”, pois não consegue repassar a alta do dólar aos preços, por causa da concorrência com carros nacionais e da baixa demanda do mercado em razão da crise.

Ao contrário, para atender metas de venda, a Kia reduziu preços neste mês. O preço do utilitário Sportage, por exemplo, caiu de R$ 106,9 mil para R$ 95,9 mil. O sedã Cerato baixou de R$ 76,9 mil para R$ 69,9 mil.

Gandini voltou a insistir na necessidade de o governo rever as cotas, pois diz ser o único prejudicado com a medida, já que os demais importadores não atingem o limite estabelecido. Em recente encontro com o ministro do Desenvolvimento, Armando Monteiro, ele sugeriu uma nova cota com base na média de venda de cada marca nos últimos três anos.

“Do jeito que está, eu tenho a mesma cota de uma marca que tem apenas uma revenda”, diz ele, referindo-se a fabricantes de veículos de alto luxo, como a Ferrari.

Previsões. O executivo acredita que o mercado continuará em declínio no próximo ano. “Não acredito em vendas superiores a 2 milhões de veículos no mercado total”, afirma. Se confirmado, será uma queda de até 20% em relação aos números previstos para este ano, de cerca de 2,5 milhões de unidades. Projeções semelhantes já foram feitas por executivos da Ford e da General Motors.

“É possível que em 2016 a gente sinta saudade de 2015”, afirma Gandini. Ele não declara abertamente, mas deu a entender que apoia o impeachment da presidente Dilma Rousseff ao demonstrar simpatia pelo vice-presidente Michel Temer.

Apesar do cenário ruim, Gandini prevê alta de vendas da marca em 2016, para 21 mil veículos. Ele passará a importar carros do México, país que mantém acordo automotivo com o Brasil isentando a troca de veículos do Imposto de Importação, que é de 35% e da taxa maior de IPI. Hoje, todos os modelos vêm da Coreia do Sul.

“Com isso, poderemos recuperar uma parte do mercado”, diz o executivo. A Kia vai iniciar produção no México em março em uma fábrica com capacidade anual para 300 mil veículos. O projeto consumiu investimentos de US$ 3 bilhões. O primeiro modelo a ser fabricado no local é o novo Cerato, que será exportado para o Brasil a partir de junho na versão flex.

No fim do ano, entrará em produção o compacto Rio, que também virá para o mercado brasileiro em versão flex, para competir com modelos como o Hyundai HB20.

Em 2017, será a vez de um utilitário de pequeno porte, cujo projeto é conhecido como kx3, que vai concorrer na faixa do Honda HR-V, Jeep Renegade e Ford EcoSport.

Geely. O grupo Gandini também é representante no País da marca chinesa Geely, que há dois anos dava como certa a construção de uma fábrica local. “Agora este projeto está engavetado”, informa Gandini. “Não acredito em vendas superiores a 2 milhões de veículos no mercado total em 2016”.

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