Vendas crescerão 4% no trimestre, prevê Fecomércio-SP

O diretor-executivo da Federação do Comércio do Estado de São Paulo (Fecomércio-SP), Antônio Carlos Borges, estimou que as vendas do setor para o primeiro trimestre deste ano deverão crescer 4% em relação ao mesmo período de 2004. "Este é um resultado positivo, visto que a expansão está sendo mantida sobre o bom desempenho apurado do ano passado", comentou à Agência Estado. "Não está havendo uma explosão de compras pelo consumidor, mesmo porque os aumentos de juros determinados pelo Banco Central desde setembro trouxeram obstáculos ao crescimento do País, à geração de empregos e à renda da população", acrescentou."Para 2005, o faturamento do varejo deverá mostrar uma evolução entre 3,5% e 4%, seguindo de perto a performance do Produto Interno Bruto, que deverá ficar neste patamar", disse.Para Borges, a partir de janeiro, passou a ocorrer uma "desaceleração natural do setor", com o fim das vendas de final de ano. No primeiro mês de 2005, o faturamento do comércio no Estado avançou 5,11% em relação ao mesmo período de 2004. "O bimestre fevereiro/março deverá apresentar uma expansão de 4%, resultado que será repetido em março, ante o mesmo mês do ano passado", acrescentou o assessor econômico da entidade, Fábio Pina. Na avaliação do diretor-executivo da Fecomércio, essa tendência é coerente com os dados apresentados hoje pelo Instituto Brasileiro de Geografia Estatística (IBGE), que apontaram um desaquecimento das vendas no começo deste ano. Em janeiro, ocorreu uma expansão do segmento no País de 6,24%, em relação ao mesmo mês de 2004. Em dezembro, foi apurado um aumento de 11,42% com o último mês de 2003.Na avaliação do diretor-executivo da Fecomércio, é possível que a redução dos juros a partir do início do segundo semestre poderá estimular o consumo, numa época que as indústrias começam a elevar a fabricação de mercadorias para atender as vendas que ocorrerão nas festas de final de ano. "Contudo, é preciso ter cuidado, pois há muitas variáveis que poderão trazer dificuldades para esse cenário mais favorável", comentou. "Por exemplo, se o câmbio subir muito nos próximos meses, isso eventualmente trará aumento de custos, o que implicará na elevação de preços, embora isso traga uma perspectiva mais favorável às exportações. O mesmo poderá surgir se subir muito a cotação do barril do petróleo no mercado internacional."Para Antônio Carlos Borges, um dos principais fatores que limitam neste ano a expansão do consumo em relação ao desempenho alcançado em 2004 é a velocidade do aumento do crédito, afetada pelos movimentos de política monetária empreendidos pelo Banco Central. O BC eleva os juros para conter a expansão dos financiamentos a empresas e consumidores, a fim de controlar a quantidade de dinheiro circulante na economia e, em conseqüência, a inflação. "Se no ano passado o crédito no País cresceu 15% em termos reais, acredito que será difícil que ocorra uma expansão de 8% em 2005", comentou. "Esse é o problema do Banco Central perseguir uma meta de inflação muito apertada para este ano, de 5,1%. O BC deveria manter esse objetivo, mas num horizonte de tempo maior, para que tal política não afetasse o crescimento do Brasil e o consumo das famílias."

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