Vendas da indústria sobem pelo 3º mês consecutivo

Indústria está reagindo lentamente, mas a crise ainda não foi superada, diz CNI

Fabio Graner, BRASÍLIA, O Estadao de S.Paulo

10 de setembro de 2009 | 00h00

A recuperação industrial já dá sinais mais claros de estar ocorrendo, mas em um ritmo ainda lento. Os indicadores industriais divulgados ontem pela Confederação Nacional da Indústria (CNI) revelaram que em julho, na comparação com junho, houve alta de 0,4% nas vendas, a terceira consecutiva. Também houve crescimento na utilização da capacidade de produção, que atingiu 79,9%. Os dois indicadores já levam em conta o chamado ajuste sazonal, que descontam os efeitos típicos de cada mês nos dados.

O economista-chefe da CNI, Flávio Castello Branco, afirmou que, apesar da melhora mostrada nos dados da indústria em julho e da mudança de quadro econômico que se desenha, não se pode dizer que a crise está superada. Isso porque os números ainda mostram queda significativa na comparação com igual mês de 2008, quando a crise internacional ainda não estava em sua fase aguda. O faturamento industrial, por exemplo, caiu 9,2% em relação ao ano passado. O uso da capacidade instalada em julho de 2008 estava em 83,2%, índice tão alto que causava na época preocupações com uma possível escalada inflacionária.

"A crise não está superada no setor industrial, apesar da melhora clara e mais abrangente. O fundo do poço já passou. Mas a indústria ainda está trabalhando em nível menor que no ano passado. A recuperação da crise só se dará quando os indicadores voltarem aos níveis de agosto e setembro de 2008", afirmou o economista. Ele diz que os números da indústria só vão voltar ao patamar pré-crise no início de 2010.

Para Castello Branco, o mês de agosto deverá registrar novos dados positivos e confirmar a retomada mais clara da indústria neste terceiro trimestre, acelerando no fim do ano.

"O segundo semestre será bem melhor para a indústria", afirmou. Mas ele diz que os dados industriais só vão superar os do ano passado a partir de novembro e dezembro, os meses de pior desempenho no ano passado.

EMPREGO

Apesar da melhora nos indicadores de venda e de uso da capacidade instalada, a situação do mercado de trabalho industrial apenas deixou de piorar. Também considerando dados dessazonalizados, o emprego na indústria ficou estável em julho, em comparação a junho.

O número de horas trabalhadas na produção, por sua vez, subiu um pouco, 0,1%. Na comparação com julho de 2008, o emprego teve queda de 5% e as horas trabalhadas, recuo de 9,5%.

Castello Branco afirmou que o "ajuste no mercado de trabalho", ou seja, a fase de corte de empregos, provavelmente acabou. Segundo ele, no segundo semestre não deverão ocorrer mais cortes de empregos, mas a recuperação das vagas deve ser "moderada". Em julho, o emprego na indústria ficou estável na comparação com junho, pelo critério dessazonalizado, mas acumula queda de 3,1% no ano.

O economista da CNI Marcelo de Ávila explicou que a recuperação do emprego depende de uma melhora significativa no indicador de horas trabalhadas na indústria, que, segundo ele, ainda não mostra sinais de retomada. Ávila destacou que as curvas de evolução do emprego e das horas trabalhadas apresentadas pela CNI ainda se mostram distantes, com o segundo indicador muito abaixo do primeiro. "O emprego cresce quando as curvas se aproximam", afirmou.

Castello Branco destacou ainda que o emprego sentiu menos os efeitos da crise porque os empresários entenderam que os problemas não seriam duradouros. Dessa forma, o ajuste da indústria foi feito de forma mais intensa nas horas trabalhadas.

"Como a crise foi muito forte, houve também impacto no mercado de trabalho. As empresas, sabendo que a crise teria um efeito temporário, fizeram ajuste de emprego menor do que nas horas trabalhadas."

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