Gabriela Biló/Estadão
Gabriela Biló/Estadão

Vendas da Volks caem 16,9% no Brasil e montadora diz que situação está 'tensa'

Entre os segmentos da Volks no Brasil, a entrega de veículos comerciais, como caminhões e ônibus, despencou 55% no 1º tri

Fernando Nakagawa, correspondente, O Estado de S. Paulo

29 Abril 2015 | 14h01


LONDRES - "A situação continuou tensa no Brasil no primeiro trimestre de 2015". É assim que a montadora alemã Volkswagen resume a situação no País na abertura do balanço trimestral divulgado esta manhã, 29. Com queda anual de 16,9% na venda de veículos no período, o resultado da filial brasileira foi o segundo pior do mundo - atrás apenas da Rússia. Entre os segmentos da Volks no Brasil, a entrega de veículos comerciais, como caminhões e ônibus, despencou 55%.

Logo na abertura do balanço distribuído aos acionistas, a montadora alemã faz um panorama econômico dos mercados onde atua. Sobre o Brasil, as palavras não foram nada animadoras. "O crescimento continuou na tendência negativa vista nos trimestres anteriores, em particular como resultado da fraqueza do setor industrial do País e da queda global dos preços das commodities", explica o texto.

No acumulado dos três primeiros meses de 2015, a Volkswagen entregou 102,2 mil veículos no Brasil. O volume ficou 20.739 unidades abaixo que o registrado um ano antes. Isso quer dizer que, na média, a montadora deixou de entregar 230 carros por dia no trimestre - quase 10 carros a menos por hora.

A queda das vendas de dois dígitos amargada pela Volkswagen no Brasil é explicada pela companhia como "resultado de condições econômicas desfavoráveis, assim como pelo aumento de impostos cujo efeito teve início em 1º de janeiro de 2015". No primeiro dia do ano, começaram a vigorar novas alíquotas do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) para automóveis.

A Volkswagen também cita que as condições do mercado de crédito não ajudam. "No Brasil, além da deterioração do ambiente macroeconômico, as condições mais restritivas de financiamento resultaram em menor demanda". O fenômeno prejudicou especialmente o segmento de veículos comerciais, cita o documento. Nesse segmento, foram vendidos 8.751 unidades, volume 55% menor que o registrado um ano antes - o pior desempenho entre todas as filiais no segmento. Segundo o balanço, foram entregues 3.199 veículos comerciais leves, 5.030 caminhões e 522 ônibus no Brasil no trimestre.

O resultado brasileiro só não foi pior que o registrado na Rússia, onde a economia sofre as consequências da crise geopolítica com a Ucrânia e as consequentes sanções dos países ocidentais. Na Rússia, as vendas totais da Volks caíram 34,9% no mesmo período. Entre as demais filiais emergentes, as vendas cresceram 1,9% na China, aumentaram 11% no México e diminuíram 2,4% na Argentina. Nas economias desenvolvidas da Europa, só números positivos com aumento das vendas de 8,5% na sede alemã, 5,4% no Reino Unido, 25,3% na Espanha.

Mais conteúdo sobre:
economiamontadorasVolkswagen

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.