Vendas de carros caem 2,7% em relação a 2013

Executivos das montadoras vão tentar negociar com o governo o adiamento da recomposição da alíquota do IPI, prevista para julho

Cleide Silva, O Estado de S.Paulo

19 de março de 2014 | 02h06

As vendas de veículos novos na primeira metade de março estão quase 30% menores que as do mesmo período do ano passado, mas cerca de 10% melhores que a primeira quinzena de fevereiro. No acumulado de janeiro até agora, há uma queda de 2,7% no total de unidades comercializadas (incluindo caminhões e ônibus) e de igual porcentual na média diária.

Como há perspectivas de uma melhora nos negócios nesta segunda metade do mês, as montadoras preveem que o trimestre deve fechar com redução de aproximadamente 0,5% em relação a igual período do ano passado.

IPI. O cenário de queda é justificado por alta de preços em razão do fim dos estoques de carros com Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) reduzido, inclusão de airbag e freios ABS em todos os carros, crédito seletivo por parte dos bancos, juros mais altos e menor índice de confiança do consumidor.

O setor se prepara para discutir com o governo o adiamento da última etapa da recomposição da alíquota do IPI, prevista para julho. "Os números até agora são um demonstrativo claro de que a indústria não está reagindo", diz o executivo de uma das grandes montadoras.

O IPI dos carros estava reduzido desde maio de 2012 e deveria retomar as alíquotas integrais em dezembro. O governo, porém, decidiu escalonar a volta. Em janeiro, a alíquota para modelos com motor 1.0 subiu de 2% para 3% e, em julho, deverá retomar os 7%. Para modelos até 2.0 flex o imposto passou de 7% para 9% e vai a 11% em julho e de 8% para 10%, indo a 13% nas versões a gasolina.

Até o dia 17, foram licenciados 98 mil automóveis e comerciais leves, 29,6% menos que em igual período de março de 2013 e 9,97% mais que em fevereiro. Com caminhões e ônibus, os números somam 103,4 mil unidades neste mês, 30% inferiores aos dados de um ano atrás e 9,92% melhores que o mês passado.

A média de vendas diárias, que elimina os efeitos dos feriados, indica 12.928 unidades neste mês, em comparação a 11.762 em fevereiro e 13.426 em março de 2013. Apesar da melhora em relação a fevereiro, no acumulado do ano há uma redução de 2,7% nessa média, para 13.507 veículos, incluindo caminhões e ônibus.

Outro executivo projeta vendas totais de 255 mil unidades para o mês, número que, se confirmado, fará do mês o pior março desde 2008, quando foram licenciados 232,1 mil veículos.

Feirões. Para o diretor da consultoria ADK, Paulo Roberto Garbosa, as montadoras devem intensificar nos próximos dias os feirões de fábrica e muitas concessionárias já oferecem as modalidades de financiamento com juro zero e troca com troco, em que o cliente pode vender o carro usado e embolsar o dinheiro ao assumir o financiamento de um veículo novo.

"Este ano vai ser muito difícil para o setor e, se as vendas crescerem 1,5% (próximo ao que projetam as montadoras), vamos estourar champanhe", diz Garbossa.

Várias montadoras já recorreram a férias coletivas e dispensas temporárias. Na segunda-feira, 5,2 mil trabalhadores da Volkswagen de São Bernardo do Campo (SP) retornaram de férias coletivas de dez dias. A Scania suspendeu a produção em três dias neste mês.

Em fevereiro, a PSA Peugeot Citroën suspendeu temporariamente os contratos de trabalho de 650 funcionários da fábrica de Porto Real (RJ) por período de dois a cinco meses. A Volks fez o mesmo para 300 funcionários de São José dos Pinhas (PR), divididos em dois grupos de 150 trabalhadores, que ficarão afastados por três meses.

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