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Vendas de computadores caem 15% no primeiro trimestre

Além da competição dos tablets e smartphones, alta de 10% a 15% nos preços também afetou vendas

Rodrigo Petry, da Agência Estado,

27 de maio de 2013 | 16h47

SÃO PAULO - A competição com novos dispositivos como os tablets e celulares, o aumento dos preços e o desaquecimento do consumo reduziram em 15% as vendas de computadores no primeiro trimestre deste ano no Brasil, segundo levantamento da consultoria IT Data.

Apesar da queda do volume, fontes do setor afirmam que as fabricantes multinacionais estão repassando a alta dos custos aos preços no varejo. A estimativa é de que os preços dos computadores subiram entre 10% e 15% desde o final do ano passado, segundo informações da Broadcast, serviço de informações em tempo real da Agência Estado.

O comportamento do mercado brasileiro reflete uma tendência mundial de queda das vendas de computadores. Com os tablets e smartphones desempenhando funções semelhantes e a preços cada vez menores, o consumidor está deixando de lado os computadores, sejam desktops (de mesa) ou notebooks, como produto de entrada ou complementar no mundo tecnológico.

"Poucas são as categorias em que o consumidor mergulha de cabeça cada vez em que surge um novo produto", afirma Eugenio Foganholo, diretor da Mixxer, consultoria especializada em bens de consumo.

A mudança do perfil de consumo não chega a ser novidade. O que mudou foi a postura das multinacionais fabricantes de computadores. Após espremerem as margens, acirrando a competição no mercado brasileiro via redução dos preços, as maiores empresas estrangeiras do setor passaram a elevar os preços, repassando o aumento dos insumos e a valorização do dólar às máquinas vendidas no varejo.

Segundo fontes do setor, praticamente todas as multinacionais fecharam o ano de 2012 com prejuízo nas operações brasileiras, mesmo este sendo um dos únicos mercados globais com aumento das vendas.

Preço. "Os fabricantes subiram os preços e a tendência é de manutenção desse quadro", disse o diretor de  Estudos de Mercado da consultoria IT Data, Ivair Rodrigues. Segundo ele, além da valorização de 12% do dólar frente ao real no primeiro trimestre frente igual período do ano passado, os preços das memórias subiram quase 100% desde o final do ano passado e dos discos rígidos (HD), dependendo do modelo, até 30%.

Diante da queda das vendas globais de computadores, os fabricantes destes insumos reduziram sua produção, elevando os preços no mercado internacional.

A projeção da IT Data é de que o quadro de queda das vendas de computadores no Brasil, de 7% em 2012 sobre 2011 (para 13,7 milhões), se mantenha este ano, com uma retração ainda maior, de até 9%.

A diferença, segundo Rodrigues, está no faturamento das empresas, que deverá repetir os mesmos números de 2012, atingindo R$ 20 bilhões. "É possível que a rentabilidade das empresas até volte a subir, com o repasse dos preços. Ninguém quer passar mais um ano no prejuízo", afirmou Rodrigues.

O analista do mercado de computadores da IDC, Pedro Hagge.Hagge, da IDC, ressaltou que o mês de março marcou uma recuperação para o setor, após um começo de ano "terrível" em termos de vendas.

"O varejo precisava recompor os estoques, já que vinha de um longo tempo sem novas compras", disse. Mesmo assim, as vendas em março recuaram 16% em relação ao mesmo mês do ano passado, atingindo 1,4 milhão de máquinas. Na categoria de desktops, a queda atingiu 25%, enquanto os notebooks registraram uma queda de 8%.

Segundo Hagge, além da reformulação das estratégias das multinacionais, que passaram a trabalhar com uma margem "mais saudável", os preços sofreram o impacto da migração do sistema operacional Windows 7 para o Windows 8, que conta com licenças mais caras, encarecendo o preço final.

"O Windows 7 contava ainda com versões de entrada mais em conta", avaliou. Outro aspecto é a renovação dos notebooks, cada vez mais leves e finos, o que encarece o produto.

 

Positivo Informática. Única empresa listada na Bolsa brasileira e com números divulgados, a Positivo Informática prevê recompor as margens este ano. "A conjuntura de mercado está boa", afirmou o presidente da companhia, Hélio Rotenberg.

Segundo ele, neste momento, as multinacionais resolveram "não só ganhar volume, mas dinheiro". "Pelos números informais, muita gente não teve ganho na última linha em 2012", afirmou.

Rotenberg afirmou recentemente a analistas que espera atingir uma margem Ebitda entre 5% a 7% para este ano. Este seria um patamar mais próximo dos observados pelas fabricantes multinacionais de computadores pelo mundo, destacou Rodrigues, da IT Data. No ano passado, por exemplo, a margem Ebitda da Positivo somou 4,5%, vindo de uma margem ainda menor em 2011, de 3,4%.

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