Vendas de eletroeletrônicos devem cair 15% no semestre

As vendas de produtos eletroeletrônicos devem fechar o primeiro semestre deste ano 15% abaixo das verificadas no mesmo período do ano anterior, de acordo com balanço do presidente da Associação Nacional de Fabricantes de Produtos Eletroeletrônicos (Eletros), Paulo Saab. "Os primeiros seis meses do ano foram perdidos", lamenta. Para todo o ano, as projeções não são mais animadoras, apesar de sazonalmente as vendas desses produtos serem melhores na segunda metade do ano. A Eletros projeta recuo nas vendas da ordem de 4%, ante estimativa feita no início do ano de crescimento de 2% em relação ao resultado de 2002.O presidente da Eletros ressalta que o setor enfrenta um cenário adverso desde 1998. Em 1999, ele foi brutalmente afetado pela desvalorização cambial os produtos importados têm peso enorme nos custos dessas empresas. Um ano depois, chegou a esboçar reação, que durou muito pouco. Em 2001 e 2002, as vendas caíram, respectivamente, 5,7% e 1%. De acordo com Saab, o principal motivo para o mau desempenho do setor é política do governo, ou a ausência dela. "A segunda gestão de FHC na Presidência e os primeiros seis meses do governo Lula não priorizaram o estímulo a produção", argumenta. Para que o setor saia do fundo do poço, Saab defende algumas mudanças estruturais, que vêm sendo negociadas junto ao governo federal, como alterações na legislação, redução da burocracia e melhor infra-estrutura de transportes. O presidente da Eletros avalia, também, que, se o governo conseguir pelo menos implementar parte das mudanças a que se propôs, como redução dos juros e aprovação das reformas encaminhadas ao Congresso, uma melhora conseguirá ser notada. "Não enxergo, na reforma tributária, algo que beneficie o setor, desonere o setor industrial, mas já é um começo", disse.

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