Coluna

Thiago de Aragão: China traça 6 estratégias para pós-covid que afetam EUA e Brasil

Vendas de máquinas agrícolas estão imunes à crise, diz Agco

As vendas de máquinas agrícolas e tratores continuarão crescendo nos próximos anos, apesar da escassez de crédito resultante da crise financeira global, disse nesta quinta-feira o presidente da Agco, Martin Richenhagen. Na avaliação dele, os fundamentos da agricultura mundial continuam tão sólidos quanto há alguns meses, antes do agravamento da crise global. No Brasil, a empresa ainda espera bater recordes na venda de tratores em 2009, com uma eventual redução nos custos com fertilizantes e defensivos, acompanhando a queda do petróleo, o que liberaria capital para investimentos em máquinas. "A crise financeira não afeta os motores do crescimento agrícola: crescimento populacional, biocombustíveis e aumento do consumo de alimentos", disse Richenhagen numa entrevista coletiva em São Paulo. "Os bancos ficarão mais fortes, as empresas ficarão mais fortes (depois da crise), embora algumas devam morrer. O futuro para os agricultores é brilhante. Os fundamentos não mudaram", disse ele. A Agco, de acordo com ele, enfrentará a crise com um caixa reforçado e com uma relação dívida/capital "zerada". A empresa vende máquinas sob as marcas Massey Ferguson e Valtra. Com presença global, faturou 6,8 bilhões de dólares no ano passado, devendo atingir 9 bilhões neste ano. No Brasil as vendas também devem atingir recordes em 2008. A América do Sul representa 20 por cento das vendas, e o Brasil é um mercado estratégico para a Agco devido ao seu potencial com biocombustíveis e por ter um clima que permite várias safras por ano, segundo Richenhagen. A empresa domina cerca de metade do mercado nacional de tratores. André Muller, vice-presidente-sênior para a América do Sul, disse que o governo poderia dar demonstrações mais efetivas de que está agindo para liberar crédito aos produtores rurais --a exemplo do que já fez com as montadoras de automóveis. "Boas intenções não bastam. Os agricultores têm de plantar e colher na hora certa, não podem esperar. Essa (pouca) velocidade está atrapalhando um pouco", disse. A Agco confirmou investimentos de 150 milhões de dólares anunciados no ano passado, para serem realizados até 2010. Isso inclui a duplicação da capacidade da fábrica no Rio Grande do Sul, adquirida em 2007. No começo deste mês, a Anfavea (Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores) disse que a venda de maquinário agrícola no Brasil havia caído pela primeira vez neste ano. Em um dos primeiros sinais de que a desaceleração econômica global pode estar começando a afetar o setor, a Deere, um das maiores concorrentes da Agco, anunciou em outubro a demissão de 200 empregados no Brasil, depois que clientes argentinos cancelaram uma grande encomenda de colheitadeiras. (Reportagem de Inaê Riveras)

REUTERS

13 de novembro de 2008 | 19h37

Tudo o que sabemos sobre:
COMMODSMAQUINASAGRICOLAS*

Encontrou algum erro? Entre em contato

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.