Vendas de pacotes batem recorde na CVC

Segundo associação das agências de viagens, Copa e eleições fizeram brasileiro adiar viagens

MÁRCIA DE CHIARA , O Estado de S.Paulo

06 Fevereiro 2015 | 02h03

Apesar do cenário adverso da economia previsto para este ano, a CVC, maior agência de turismo do País, que tem o fundo de private equity americano Carlyle entre seus sócios, começou 2015 batendo recordes. Janeiro foi o melhor mês da empresa em vendas e embarques de passageiros em 42 anos de funcionamento. No mês passado, as vendas (reservas confirmadas) somaram R$ 491 milhões, com alta de 12,7% em relação a janeiro de 2014. Os embarques atingiram R$ 714 milhões com avanço de 25,9% em comparação com o ano anterior.

"Existem fatores de mercado que ajudaram e acabaram gerando esses números, não só o trabalho que fizemos", explica o presidente da companhia, Luiz Eduardo Falco. Como em 2014 houve Copa e eleições, muitas pessoas adiaram as viagens para dezembro e janeiro. Mas ele ressalta que a companhia foi muito agressiva nas promoções: reduziu preços, congelou o câmbio, retirou a exigência de entrada no parcelamento em 10 vezes sem juros para fazer com que a prestação coubesse no bolso do cliente.

No primeiro balanço anual da empresa após abertura de capital e que foi divulgado ontem à noite, o lucro líquido somou R$ 145,7 milhões, com crescimento de 30,5% em relação a 2013. A receita líquida atingiu R$ 714,5 milhões, com avanço de 11,4% sobre 2013. As vendas online cresceram 44,7%, seguida pelas lojas físicas, com alta de 11,8%.

Mas, na comparação das vendas mesmas lojas, houve desaceleração. Elas cresceram 5,4% no ano passado em relação ao anterior, depois de terem registrado um avanço de 11,8% em 2013 em comparação com 2012.

O presidente da empresa explica que houve uma concentração de abertura de lojas no final de 2013. Por isso, muitas lojas começaram o ano praticamente do zero e isso se refletiu numa taxa de crescimento menor em 2014, considerando os mesmos estabelecimentos. "Crescer 5,4% considero um número bom. Temos de estar minimamente próximos da inflação."

Esse resultado do desempenho das mesmas lojas é o limite superior registrado pelo setor. Segundo o presidente da Associação Brasileira das Agência de viagens (Abav), Antonio Azevedo, as cerca de 3.500 agências, a maioria pequenas e microempresas, fecharam 2014 com aumento de vendas entre 0,2% e 5%. Segundo Azevedo, 2014 foi um ano atípico com Copa e eleições, o que refreou as vendas de pacotes turísticos.

Perspectivas. Para este ano, o presidente da CVC acredita que o baixo crescimento da economia não vai afetar o desempenho da venda de pacotes. "O mercado de turismo tem crescido entre 7% e 11% nos últimos dez anos, com PIB (Produto Interno Bruto) para cima ou para baixo." Ele admite, no entanto, que deve ocorrer uma migração de compra de pacotes mais caros para os mais baratos, mas defende a tese de que o brasileiro incorporou o turismo na sua cesta de consumo e que se tiver de escolher entre a compra de uma geladeira e uma viagem, ficará com a segunda opção.

Para impulsionar as vendas neste ano, Falco diz que vai incentivar as promoções e reforçar a atuação em várias frentes, popularizando o turismo ligado a educação e a negócios. No turismo tradicional, a empresa terá de disputar a renda do consumidor com as agências de viagem online, especialmente a Decolar.com, que investiu pesadamente em mídia nos últimos anos.

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