Vendas de pacotes de viagem crescem até 15%

Depois de enfrentar turbulências como a crise financeira e o surto de gripe suína, o mercado turístico nacional respira aliviado neste fim de ano. A venda de pacotes de viagem deve terminar o ano em queda ante 2008, mas voltou a crescer nos meses de novembro e dezembro. A estimativa das duas maiores entidades do setor, a Associação Brasileira de Agências de Viagens (Abav) e a Associação Brasileira das Operadoras de Turismo (Braztoa), é de um crescimento entre 10% e 15% nas vendas de pacotes neste fim de ano, em comparação com o mesmo período de 2008.

GUSTAVO URIBE, Agencia Estado

29 de dezembro de 2009 | 19h49

De acordo com representantes do setor, a depreciação do dólar ante o real e o barateamento das passagens áreas têm levado os brasileiros a investir mais no lazer turístico e a buscar destinos nacionais e internacionais nas férias de verão. Dados divulgados nas últimas semanas pela Empresa Brasileira de Infraestrutura Aeroportuária (Infraero) mostram que o movimento nos aeroportos nacionais deve crescer em torno de 10% nos meses de dezembro e janeiro em relação ao ano anterior.

O presidente da Braztoa, José Eduardo Barbosa, explicou que a queda do dólar turismo, atualmente na faixa dos R$ 1,80, tem dado segurança para que os turistas invistam em viagens internacionais. "O turismo para fora do País não sentiu muito a recessão internacional. No começo do ano, houve forte oscilação do dólar, mas a queda da moeda norte-americana foi fundamental para que as vendas voltassem a crescer no final do ano", ressaltou.

O presidente da Abav, Carlos Alberto Ferreira, destacou o barateamento das passagens aéreas como um dos fatores responsáveis pelo crescimento da procura por pacotes de viagem no final deste ano. Ferreira lembrou que a Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) autorizou, em abril, a concessão de descontos abaixo do piso determinado oficialmente para passagens aéreas internacionais. Desde então, segundo ele, as empresas estão oferecendo descontos até 50% sobre a tabela fixada pela Anac. "O turismo vem evoluindo bem neste fim de ano, principalmente entre a classe média, que está habituada a inserir pelo menos uma viagem ao ano em seu orçamento doméstico", explicou.

Ferreira ressaltou também o papel do governo federal para o estímulo da indústria do turismo. Segundo ele, o financiamento de viagens em até 24 vezes pela Caixa Econômica Federal, desde maio, tem tido repercussão positiva na venda de passagens aéreas. "É a oportunidade de as pessoas investirem de forma segura e com facilidade de pagamento", destacou. O presidente da Abav projetou um crescimento do mercado de turismo nacional em 2010 superior a 15%, "caso não aconteça nada de anormal". A observação de Ferreira refere-se ao surto da gripe suína em abril deste ano no México, que pegou as agências de viagens brasileiras de surpresa.

Depois da recomendação do Ministério da Saúde para que fossem adiadas as viagens para países com maior risco de contaminação pela gripe suína, entre eles a Argentina e o Chile, em torno de 50% dos passageiros que haviam comprado pacotes para estes destinos cancelaram a viagem. Um dos locais mais procurados pelos brasileiros nesta época do ano, a cidade argentina de Bariloche teve um índice de desistência de 30%. "Esperamos não haver surpresas deste tipo em 2010", afirmou Ferreira.

De acordo com dados da CVC, uma das maiores operadoras brasileiras de turismo, o destino turístico mais solicitado pelos brasileiros neste fim de ano foi a região Nordeste, com destaque para Porto Seguro, Maceió, Porto de Galinhas, Natal e Fortaleza. No exterior, os destinos preferidos foram Buenos Aires, Cancún, St. Maarten, Punta Cana, Orlando, Nova York e Paris.

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