GABRIEL GARCIA SOARES/BRAZIL PHOTO PRESS
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Vendas de Páscoa caem mais do que o previsto

Três levantamentos indicam que o resultado foi o pior em pelo menos 6 anos

MÁRCIA DE CHIARA , O Estado de S.Paulo

07 de abril de 2015 | 02h02

O fraco desempenho de vendas da Páscoa, a primeira data comemorativa do ano para o comércio, indica a perspectiva ruim para o varejo em 2015. Três levantamentos de vendas feitos por entidades diferentes apontam para a mesma direção: o resultado da Páscoa de 2015 foi o pior dos últimos pelo menos seis anos.

A maior retração foi captada pela Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL) e do Serviço de Proteção ao Crédito (SPC). De acordo com o levantamento feito com base em consultas para compras a prazo, o volume de negócios caiu 4,93% na semana que antecedeu a Páscoa deste ano em relação ao mesmo período de 2014. Foi o pior desempenho dos últimos seis anos.

A pesquisa da Boa Vista Serviços, que também é nacional, mas inclui as consultas ao sistema financeiro, registrou um recuo de 0,30% nas vendas da semana da Páscoa deste ano na comparação com as de 2014. Já a Serasa Experian captou estabilidade no volume de negócios. Mas os resultados de ambas as pesquisas são os piores dos últimos sete anos.

"Foi uma queda muito maior do que esperávamos", afirma a economista-chefe da CNDL, Marcela Kawauti. Ela conta que a expectativa era de uma retração de 2,5% no número de consultas em relação a 2014, mas a queda foi praticamente o dobro da esperada (-4,93%).

Uma forte indicação de que os negócios não andavam bem foi que muitos varejistas começaram a reduzir os preços dos ovos de chocolate na sexta-feira, antes da Páscoa, observa Marcela. Segundo a economista, o que mais pesou nesse fraco desempenho de vendas foi o avanço da inflação, que em 12 meses acumula alta na casa de 8% e está reduzindo o poder de compra do consumidor. "Se o consumidor tem menos dinheiro para comprar arroz, é lógico que ele vai gastar menos com ovos de Páscoa."

Essa também é a avaliação do economista da Boa Vista Serviços, Flávio Calife. Entre os motivos para a retração, ele acrescenta o avanço do câmbio e o mercado de trabalho mais apertado. "A situação piorou", observa o economista, ressaltando que a confiança em baixa funciona como um balde de água fria no consumo.

A Boa Vista Serviços esperava que as vendas da semana da Páscoa poderiam oscilar entre queda de 0,5% ou alta de 0,5%. O resultado foi uma retração 0,30% que, para ele, indica estabilidade, compatível com desempenho registrado pela Serasa Experian.

Promoções. Os economistas da Serasa Experian destacam que nem mesmo as promoções de última hora foram capazes de impulsionar as vendas. A Páscoa, lembra Calife, dá uma pista do que pode ser o Dia das Mães, que acontece no segundo domingo de maio e que é a melhor data para o varejo no primeiro semestre do ano.

Um levantamento feito pelo portal CupoNation, que possibilita o uso de cupons gratuitos para compra de itens com descontos, revela que o preço dos ovos de Páscoa caíram até 17% ontem em relação aos valores pedidos na quinta-feira da semana passada. Dos 23 ovos pesquisados, houve redução de preço em 9 deles e o corte variou entre 4% e 17%, dependendo do produto.

No domingo, antes mesmo da festa terminar, a Lojas Americanas, que se apresenta como a maior revendedora de ovos de chocolate do País, vendia muitos itens com descontos significativos. Procurada, a Lojas Americanas não informou o resultado de vendas. Outras grandes redes varejistas de itens de Páscoa, como o Grupo Pão de Açúcar, Carrefour e Walmart não quiseram informar o desempenho de vendas dos itens de Páscoa, sinal de que os negócios podem não ter atingido as expectativas traçadas.

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