Geraldo Falcão/Petrobrás
Geraldo Falcão/Petrobrás

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Vendas de petróleo e gás da Petrobrás caem com pandemia, aponta relatório

Até o pré-sal, um dos maiores investimentos da estatal, sofreu com o avanço do coronavírus e registrou queda de 1% na produção

Denise Luna e Fernanda Nunes, O Estado de S.Paulo

21 de julho de 2020 | 21h28
Atualizado 21 de julho de 2020 | 21h43

RIO - A pandemia de covid-19 afetou as vendas de petróleo e gás da Petrobrás no segundo trimestre deste ano, mas o parque de refino da empresa ajudou a mitigar a crise. Em alguns casos, como do óleo diesel e do gás liquefeito de petróleo (GLP), o comércio interno até cresceu, segundo o relatório de produção e vendas divulgado pela empresa nesta terça-feira, 21.

Considerando o conjunto dos derivados de petróleo, a estatal ganhou participação de mercado, que passou de 84,5% para 88,2% na passagem do primeiro para o segundo trimestre. O cálculo é do Instituto de Estudos Estratégicos de Petróleo e Gás Natural (Ineep), que utilizou dados da Petrobrás, do Ministério de Minas e Energia (MME) e da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP)

"As exportações de derivados também ajudaram a atenuar os efeitos da crise. Já as exportações de petróleo cru foram inferiores às da média do primeiro trimestre, o que pode sinalizar uma perda de força da demanda externa pelo petróleo da Petrobrás. Ou seja,  não dá pra contar com ela enquanto o mercado não se normalizar", avaliou Rodrigo Leão, coordenador do Ineep.

Analisando exclusivamente os dados de petróleo cru e gás natural, o operacional da empresa demonstra algum abalo. A produção dos dois produtos no Brasil caiu 3,5% do primeiro para o segundo trimestre, para 2,75 milhões de barris de óleo equivalente (boe/d). Considerando apenas o volume capaz de ser comercializado, a queda foi ainda maior, de 5,1%

Nem mesmo o pré-sal, foco da maior parte do investimento da empresa atualmente, ficou imune aos efeitos da covid-19 e registrou queda de produção de 1% no período, por conta de interrupções para desinfecção de plataformas. 

Do lado do refino, porém, a Petrobrás conseguiu criar estratégias para superar o período mais crítico da pandemia no mercado interno. Em abril, a empresa foi beneficiada pelos baixos estoques de diesel das distribuidoras. Em maio e junho, as vendas de gasolina também voltaram a crescer. E, com a população em casa, a empresa conseguiu escoar ainda mais o GLP de 13 kg, popularmente conhecido como gás de botijão. As vendas subiram tanto, 10% na média do trimestre frente a igual período anterior, que a estatal foi obrigada a dobrar a importação de GLP.

Ao longo do trimestre, à medida que o mercado foi se recuperando, a Petrobrás aumentou a utilização da sua capacidade de refino, que estava em 59% em abril e chegou a 78% em junho. 

"Foram feitas otimizações nas nossas refinarias de forma a adequar a produção de derivados às variações da demanda, buscando alcançar a máxima rentabilidade do parque de refino. Com isso, priorizamos a produção de bunker (para navio) e óleo combustível, o que nos possibilitou alcançar recordes nas exportações de óleo combustível em maio", informou a empresa em seu relatório. 

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