Vendas de pneus para montadoras caem 20% no trimestre

Foi a maior reduçãoregistrada no períododesde 2003, segundo a Anip; Pirelli coloca 1,5 mil funcionários em lay-off

CLEIDE SILVA, O Estado de S.Paulo

25 de abril de 2015 | 02h03

Com produção 16,2% menor que a do primeiro trimestre do ano passado, a indústria automobilística derrubou também as vendas de pneus. As entregas às montadoras caíram 20,7%, a maior queda já registrada no período desde 2003, quando os números do setor começaram a ser divulgados. A queda equivale a cerca de 1 milhão de pneus.

Com a menor demanda, a Pirelli, maior fabricante brasileira de pneus, confirmou ontem que vai suspender por cinco meses os contratos de 1,5 mil trabalhadores das quatro fábricas do grupo no País, ou 12,5% de toda sua força de trabalho.

O chamado lay-off foi proposto pela empresa no início do mês e aprovado em assembleias de trabalhadores nas fábricas do grupo em Campinas (SP), Santo André (SP), Feira de Santana (BA) e Gravataí e começará a partir da primeira semana de maio.

O presidente da Associação Nacional da Indústria de Pneumáticos (Anip), Alberto Mayer, diz que, apesar da conjuntura adversa, o setor tem mantido seu quadro de pessoal estável, com cerca de 27 mil empregos diretos.

"Até o momento não existem previsões de demissões, pois nosso setor emprega pessoal especializado, que leva tempo para ser treinado e por essa razão nenhuma fábrica quer perder suas equipes", diz Mayer.

Alarmantes. Segundo a Anip, de janeiro a março foram vendidos às montadoras 4,020 milhões de pneus, ante 5,067 milhões no mesmo período do ano passado.

"As vendas foram alarmantes para a indústria nacional de pneus, em especial no fornecimento ao setor de caminhões e ônibus, com queda de 41,8%", diz Mayer.

Já as vendas para o segmento de reposição cresceram 10,1%, para 11,7 milhões de unidades. Uma das justificativas é que, ao não trocar o carro usado por um novo, o consumidor fica mais atento à sua manutenção. Com isso, as vendas totais de pneus recuaram 2,7%, para 18,7 milhões de unidades.

O desempenho do mercado de reposição também ajudou o setor a registrar aumento de 2,6% na produção em relação a 2014, com um total de 18,5 milhões de pneus.

Competitividade. As exportações caíram 15,6%, para 2,937 milhões de pneus nos primeiros três meses do ano. "Os números comprovam a contínua perda da competitividade da indústria pneumática brasileira, mesmo com a desvalorização cambial", diz Mayer.

Ele afirma que países onde a vantagem logística poderia compensar parcialmente o câmbio, como Argentina e Venezuela, enfrentam problemas econômicos e políticos, o que levou a uma drástica redução das encomendas.

A desvalorização do real em relação ao dólar, por outro lado, ajudou o setor a reduzir as importações, junto também com medidas antidumping adotadas pelo País no ano passado.

De acordo com os dados da Anip, as 11 empresas associadas à entidade reduziram as importações em 31,8% no primeiro trimestre em relação a igual período do ano passado.

Foram trazidos do exterior para complementar a produção local um total de 1,188 milhão de pneus, ante 1,741 milhão em 2014.

Mais conteúdo sobre:
O Estado de S. Paulo

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.