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Vendas de veículos disparam em dezembro

Consumidores correm para aproveitar promoções antes da alta de juros provocada pelo pacote de crédito e vendas sobem 39% em relação a 2009

Cleide Silva, O Estado de S.Paulo

18 de dezembro de 2010 | 00h00

Em vez de provocar uma retração no consumo, como pretendia o governo federal, as medidas de restrição ao crédito editadas pelo Banco Central no início do mês incentivaram a antecipação de compras e este pode ser o melhor mês da história em vendas de automóveis novos.

A indústria iniciou dezembro com previsão de vender 316,5 mil veículos, mas já fala em 355 mil.

Até quarta-feira foram emplacados 205.917 veículos, sendo 194.518 automóveis e comerciais leves e o restante caminhões e ônibus. Significa uma média de 17.159 unidades por dia útil, um recorde para essa medição.

O resultado da quinzena é 10,3% maior que o de igual período de novembro e 39% superior ao de dezembro do ano passado. O recorde mensal até o momento é o de março, último mês de redução do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), com 353,7 mil unidades.

De janeiro até quinta-feira, as vendas acumuladas somam 3,33 milhões de unidades ante 3,14 milhões em todo o ano de 2009. A previsão da Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea) era de encerrar 2010 com 3,45 milhões de unidades comercializadas, mas esse número pode ser um pouco superior, caso o ritmo atual de vendas se mantenha.

O economista Ayrton Fontes, da MSantos, consultoria especializada no segmento de varejo de veículos, acredita que, nesta segunda quinzena é possível que ocorra queda nos negócios. "Além de menos dias úteis, os consumidores se dispersam e ainda por cima tem a influência das novas regras inibidoras para financiamentos anunciadas recentemente pelo Banco Central."

A maioria dos bancos já trabalha com juros mais altos por causa da exigência do aumento do depósito compulsório (recursos que os bancos são obrigados a manter no BC). Para modelos populares, o juro médio em um plano de 60 prestações sem entrada subiu de 1,3% para 1,8%. Com entrada de 40% do valor do bem, a taxa cai para 1,4%.

O modelo Celta, da General Motors, foi vendido até o último fim de semana em 60 parcelas fixas de R$ 598,50, sem entrada. Hoje, a prestação está em R$ 719,60. O juro mensal é de 1,8%. Ao fim de cinco anos, o carro terá custado R$ 7.266,00 a mais.

Nas mesmas condições de prazo, o Corsa poderia ser pago em 60 parcelas mensais de R$ 758,60, prestação que agora é de R$ 824,70. Ao fim do plano, o consumidor terá desembolsado quase R$ 4 mil a mais. O juro para esse modelo é promocional, segundo a GM, de 1,61% ao mês.

Janeiro. A indústria, porém, acredita que as medidas de aperto ao crédito não terão influência significativa nos negócios neste mês.

Marcos Munhoz, diretor geral de Comunicações, Relações Públicas e Governamentais da GM, diz que, para algumas montadoras "2010 teve 13 meses". Segundo ele, no dia 3 de dezembro a marca atingiu volume de vendas de 614 mil veículos, ultrapassando o resultado de todo o ano passado, de 595,5 mil unidades.

"Devemos fechar o ano com cerca de 650 mil unidades, resultado recorde", prevê Munhoz. Até quinta-feira, o saldo já era de 624 mil automóveis de passeio e comerciais leves.

A preocupação da indústria automobilística se volta para janeiro, quando é esperado impacto mais forte nas vendas. Dirigentes do setor esperam que a medida do BC tenha curta duração.

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