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Vendas do comércio e de carros recuam

Dados da 1ª quinzena do mês indicam queda de 4% nas lojas e de 3% nos veículos

Márcia de Chiara e Gustavo Porto, O Estado de S.Paulo

17 de setembro de 2013 | 02h10

As vendas do comércio na cidade de São Paulo e de veículos no País estão caindo neste mês. Isso reforça a hipótese levantada por economistas de que o desempenho surpreendente do varejo em julho, apurado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), não deve ser mantido nos meses seguintes.

Entre os dias 1.º e 15 de setembro, as consultas para vendas à vista e a prazo caíram, em média, 4,1% na comparação com igual período de 2012, segundo levantamento feito pela Associação Comercial de São Paulo (ACSP), com base numa amostra de dados de clientes da Boa Vista Serviços, que administra o Serviço Central de Proteção ao Crédito. Em relação à primeira quinzena de agosto, as vendas recuaram cerca de 15%.

As vendas de autos e comerciais leves também caíram. Na primeira quinzena de setembro, foram comercializados 136,1 mil unidades, segundo dados da Carcon Automotive, com base em levantamento no Registro Nacional de Veículos Automotores. Esse resultado representa um recuo de 3,27% em relação a igual período agosto, quando foram vendidos 140,7 mil veículos.

Julian Semple, diretor da Carcon, calcula que setembro termine com cerca de 300 mil carros e comerciais leves emplacados. Se a estimativa se concretizar, setembro terá uma queda de 4% nos emplacamentos sobre agosto. Já em relação a setembro de 2012, a perspectiva é de alta de 8%.

"Em junho, julho e agosto de 2012 houve forte antecipação de compras por parte dos clientes, diante do possível término da redução do IPI", diz Semple. Na sua avaliação, 2,644 milhões de veículos leves foram emplacados entre janeiro e setembro, o que representa queda de 0,8% sobre igual período de 2012.

"O consumidor está com um pé atrás em relação às novas compras de itens de maior valor", afirma o economista da Associação Comercial, Emílio Alfieri, lembrando que a confiança do brasileiro se estabilizou, porém o nível ainda é baixo.

DÍVIDAS

O economista observa que a prioridade do consumidor neste momento é quitar dívidas em atraso em detrimento de ir às compras. Um dado da pesquisa da associação comercial que aponta para essa direção é que o volume de dívidas em atraso renegociadas cresceu 8% na primeira quinzena deste mês na comparação anual. Também o registro de novos inadimplentes caiu 4,4% em igual período.

Rogério Amato, presidente da associação, diz que o aumento das renegociações tem relação com as campanhas antecipadas e com o recebimento da 1.ª parcela do 13.º salário dos aposentados, além de dissídios de importantes categorias.

REPETECO

De acordo com pesquisa da Associação Brasileira de Shopping Centers (Abrasce) com cerca de 60 empreendimentos, o faturamento do setor cresceu 10,35% em julho em relação a igual período de 2012 e foi o melhor mês deste ano para os shoppings. "Não acredito que esse desempenho tenha se repetido em agosto e neste mês", afirma o presidente da entidade, Luiz Fernando Veiga.

Ele lembra que o consumidor está desconfiado em relação à manutenção da renda e do emprego e isso já afeta a intenção de compras. "O ambiente está esquisito", diz o executivo.

No começo do ano, a Abrasce projetava que o faturamento do setor cresceria neste ano 12% em relação a 2012. Agora, Veiga diz que ficará satisfeito se ampliar em 10% as vendas neste ano. De janeiro a julho, o acréscimo foi de 8,6% na receita.

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