Vendas do comércio têm ''acomodação''

Dados do IBGE apontam um recuo de 1,5% em fevereiro ante janeiro

Jacqueline Farid, RIO, O Estadao de S.Paulo

16 de abril de 2008 | 00h00

As vendas do comércio varejista caíram 1,5% em fevereiro em relação a janeiro, resultado interpretado como "acomodação" pelo técnico da coordenação de serviços e comércio do IBGE, Reinaldo Pereira. Nas comparações com iguais períodos do ano passado, porém, os aumentos continuaram significativos: 12,2% no mês e 12% no primeiro bimestre. "A queda ante o mês anterior não significa uma tendência de recuo ou ponto de inflexão em feverereiro, até porque o crédito continua forte, a renda do trabalho continua aumentando, tudo isso estimula o consumo e as vendas do varejo", disse Pereira. Segundo ele, o resultado é apenas uma acomodação após três meses consecutivos de expansão. Para o analista da Tendências Consultoria, Alexandre Andrade, o recuo em fevereiro confirma a desaceleração no ritmo de crescimento da economia, já sinalizado pelos dados da produção industrial do mesmo mês. No entanto, assim como ocorreu na indústria, ele vê o varejo com uma "acomodação em um patamar bastante elevado". Cesar Fukushima, economista chefe da Gouvêa de Souza & MD, também vê um momento auspicioso para o varejo, apesar da queda ante o mês de janeiro. "Continuamos com uma taxa de inadimplência estável, de 7,1%, e também com o crescimento no volume de crédito (22,6% acumulado em 12 meses), o que impacta diretamente no comportamento dos consumidores", avalia. O consultor do Instituto de Desenvolvimento do Varejo (IDV, que reúne as maiores redes de varejo do País), Emerson Kapaz, disse que os setores mais dependentes do crédito seguem crescendo em ritmo elevado e, além disso, mostram uma tendência de aceleração de seu desempenho. Alguns exemplos são os aumentos, ante o mês anterior, apurados nas vendas de móveis e eletrodomésticos (1,8%) e material para escritório e informática (12,4%). Por outro lado, segundo Kapaz, segmentos mais dependentes do rendimento real da população, "embora ainda preservem uma expansão do volume de vendas bastante expressiva, acusaram sinais de menor ímpeto". O principal exemplo citado por ele é o aumento, ante igual mês do ano anterior, de 7,2% nas vendas de hiper, supermercados, produtos alimentícios, bebidas e fumo. De acordo com Kapaz, "nos próximos meses será possível averiguar se o mês de fevereiro foi apenas um ponto fora da curva, ou se, sob a influência de uma maior inflação que reduziu o poder de compra da população, os segmentos do varejo mais relacionados ao rendimento real da população realmente mudaram a direção de seu desempenho".

Encontrou algum erro? Entre em contato

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.