CELSO JUNIOR/ESTADÃO
CELSO JUNIOR/ESTADÃO

Vendas do Dia das Mães têm retração de até 16,4%

Desemprego e juros em alta derrubam o faturamento em R$ 5 bilhões, segundo Boa Vista SCPC e a Fecomercio-SP

Márcia De Chiara, O Estado de S.Paulo

09 de maio de 2016 | 13h13

SÃO PAULO - O desemprego em alta e o crédito caro derrubaram  as vendas dos Dia das Mães, que é a principal data para o comércio do primeiro semestre. Dados preliminares apontam quedas entre 8,4% e 16,4%, um dos piores desempenhos dos últimos anos. Essa forte retração deve levar os lojistas, especialmente os de shoppings, onde estão concentradas as vendas de artigos de vestuário, a antecipar ainda mais as liquidações de inverno, um prática comum que vem ocorrendo nos últimos anos.

Nas contas da Serasa Experian, as vendas no varejo por conta da data caíram 8,4% na semana entre 2 e 8 de maio em relação ao mesmo período de 2015, quando os negócios já tinham recuado 2,6% sobre o ano anterior. Além de ser a segunda queda consecutiva, o desempenho deste ano foi o pior desde o início da  série  em 2003.

O resultado do Dia das Mães só não foi pior do que o da Páscoa, quando as vendas encolheram 9,6%, segundo a Serasa Experian. “Quando se está num inverno de menos  40 graus Celsius e a temperatura sobe para menos  35 graus não dá para sentir a diferença”, observa o economista da Serasa Experian, Luiz Rabi. Embora a pesquisa não levante dados setorizados, ele acredita que as maiores retrações tenham ocorrido exatamente nas vendas de itens mais caros, como eletrônicos, que fecharam abril com retração 14%.

Essa tendência é confirmada pelo indicador apurado pelo SPC (Serviço de Proteção ao Crédito) Brasil e pelo Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL) que aponta retração de 16,4% nas consultas para vendas a prazo neste ano em relação às de 2015. Foi a terceira queda seguida e o pior desempenho desde o início da série do indicador que começou a ser apurado desde 2010.

“Muita gente deixou de comprar produtos de valor mais alto e as vendas a prazo foram as que mais sofreram”, observa a economista-chefe do SPC Brasil, Marcela Kawauti.

Shoppings. Nos itens de menor valor o quadro de vendas não foi muito diferente. Também houve retração, mas com quedas menores. Nabil Sahyoun, presidente da Associação de Lojistas de Shoppings (Alshop), diz que a retração no faturamento, já descontada a inflação, pode ter chegado a 4% em relação à mesma data de 2015, que tinha registrado um recuo de 3%. “Este foi o pior Dia das Mães para os lojistas de shoppings desde 2012”, afirma.

Além do bolso apertado e do cenário ruim para a renda e para o emprego,  a falta de frio atrapalhou as lojas de vestuário que apostavam no inverno para desovar os estoques.  “A falta de frio piorou a situação”, diz o presidente da Alshop.

Se as temperaturas se mantiverem elevadas e os estoques também, Sahyoun diz que as promoções podem  se intensificar a partir de meados de junho. As liquidações de inverno, que geralmente são antecipadas, podem começar antes neste ano. Segundo ele, tudo vai depender da situação de caixa dos lojistas  e do volume de estoques indesejados.

Nas contas da Boa Vista SCPC (Serviço Central de Proteção ao Crédito) em parceria com a Fecomercio-SP, o varejo deixou de embolsar neste ano R$ 5 bilhões com as vendas do Dia das Mães por conta da queda de 4,6% registrada nas vendas em relação ao ano anterior. Em 2015, o recuo havia sido de 1,2% sobre 2014. 

Futuro. Apesar da forte retração, Marcela, do SPC Brasil, pondera que nas próximas datas comemorativas do comércio a retração poderá ser menor. Isso porque a base de comparação, que é o desempenho do ano passado, já é muito baixa.

Marcela lembra que as vendas por ocasião do Dia dos Namorados tiveram forte retração em 2014 em razão da Copa do Mundo, deram uma parada em 2015 e neste ano devem recuar em relação a um nível que já é muito baixo.

Já Rabi acredita que a retração de vendas do Dia dos Namorados varie entre 5% e 10% e prevê uma retração menor das vendas nas datas comemorativas do segundo semestre. “A partir de julho o tombo deverá ser menor”, avalia. O economista da Serasa Experian ressalta que a queda menor deve ocorrer por uma questão de base de comparação, uma vez que não existem fatores objetivos que podem melhorar esse quadro. Segundo ele, a desaceleração da inflação não será suficiente para dar um alívio no orçamento e trazer o consumidor de volta às compras. Além disso, há perspectivas de aumento do desemprego e os juros ainda continuam em níveis elevados.

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.