Valeria Gonçalvez|Estadão
Valeria Gonçalvez|Estadão

Vendas do Dia dos Namorados 'salvam' comércio eletrônico

Faturamento do setor na data cresceu 16% em relação a 2015 e atingiu R$ 1,6 bilhão

Ricardo Rossetto, O Estado de S.Paulo

14 Junho 2016 | 20h41

O Dia dos Namorados foi positivo para o comércio eletrônico brasileiro neste ano, que registrou um aumento no faturamento de 16% em relação a 2015, totalizando R$ 1,65 bilhão. O número de encomendas também foi 8% maior do que em 2015, ultrapassando 4 milhões de pedidos. O levantamento foi realizado pela E-bit, empresa especializada em informações de comércio eletrônico no país.

As vendas através dos dispositivos móveis se destacaram este ano, com um crescimento de 114% no volume transacionado e de 97,7% no faturamento em relação a 2015. No total, os consumidores fizeram 761 mil compras, o que gerou um faturamento de R$ 281,5 milhões.

As categorias de produtos mais vendidas neste ano foram livros, eletrodomésticos, telefonia e celulares, moda e acessórios e itens para casa e decoração, com um valor médio dos presentes em torno de R$ 410.

Para o CEO da E-bit e presidente do conselho de e-commerce da Fecomércio-SP, Pedro Guasti, esse aumento no volume de vendas e faturamento acontece porque a expectativa de compra e confiança do consumidor começa a subir com a melhora do quadro econômico do País. "Após um primeiro trimestre muito ruim, as lojas começam a reverter as perdas de vendas com esforço adicional em marketing", afirma.

Recuperação. Os resultados registrados no comércio eletrônico no Dia dos Namorados apontam para o início da recuperação do setor que, no primeiro trimestre do ano, registrou faturamento real (descontada a inflação) de R$ 3,6 bilhões, queda de 7,4% em relação ao mesmo período do ano anterior. O valor, medido pela Fecomércio-SP, aponta ainda que os números de pedidos online caíram 7,2%, e a participação do e-commerce nas vendas totais do varejo paulista recuaram de 3,6% para 3,3%.

De acordo com Guasti, essa queda esteve associada ao difícil momento econômico do país, mas o início da recuperação para o setor, acredita, virá a partir do segundo semestre deste ano. "As pessoas voltarão a consumir quando voltarem a ter crédito, e, dadas as facilidades de se comprar online, existe uma demanda reprimida. Esperamos que lá no final de 2017 a participação do e-commerce no varejo represente 4%", diz. 

Na opinião do coordenador da assessoria econômica da Fecomércio-SP, Vitor França, o varejo online sofreu mais com a crise do que o varejo tradicional porque a diminuição da renda fez com que as pessoas comprassem apenas bens essenciais, como alimentos e medicamentos, setores onde a penetração do e-commerce é pequena.

"As condições para o consumidor ainda estão ruins principalmente por causa do aumento do desemprego. Isso os deixa desconfortáveis em relação ao futuro e mais conservadores para contrair novas dívidas", afirma França.

No total, de acordo com a Fecomércio, o faturamento do comércio varejista físico e eletrônico do Estado de São Paulo retraiu 2,6% no primeiro trimestre deste ano em relação a 2015 e atingiu R$ 46,2 bilhões.

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