Daniel Teixeira/Estadão
Daniel Teixeira/Estadão

Vendas do varejo caem 0,6% em abril ante março, aponta IBGE

Na comparação com abril de 2018, sem ajuste sazonal, as vendas do varejo tiveram alta de 1,7% em abril de 2019

Daniela Amorim , O Estado de S.Paulo

12 de junho de 2019 | 09h15

RIO - As vendas do comércio varejista caíram 0,6% em abril ante março, na série com ajuste sazonal, informou, na manhã desta quarta-feira, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O resultado veio abaixo da mediana das estimativas dos analistas ouvidos pelo Projeções Broadcast, que era negativa em 0,2%. O intervalo das previsões ia de queda de 1,0% a avanço de 0,6%. 

Na comparação com abril de 2018, sem ajuste sazonal, as vendas do varejo tiveram alta de 1,7% em abril de 2019. Nesse confronto, as projeções iam de uma elevação de 0,5% a 4,8%, com mediana positiva de 2,6%. As vendas do varejo restrito acumularam crescimento de 0,6% no ano. No acumulado em 12 meses, houve avanço de 1,4%. 

Quanto ao varejo ampliado, que inclui as atividades de material de construção e de veículos, as vendas ficaram estáveis (0,0%) em abril ante março, na série com ajuste sazonal. Esse resultado também veio aquém da mediana do intervalo das estimativas do mercado financeiro, positiva de 0,3% Projeções Broadcast. O intervalo ia de recuo de 0,8% a alta de 1,3%. 

Na comparação com abril de 2018, sem ajuste, as vendas do varejo ampliado tiveram alta de 3,1% em abril de 2019. Nesse confronto, as projeções variavam de um avanço de 1,0% a 5,2%, com mediana positiva de 3,5%. 

As vendas do comércio varejista ampliado acumularam alta de 2,5% no ano. Em 12 meses, o resultado foi de avanço de 3,5%. 

Para a gerente da Pesquisa Mensal de Comércio no Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), Isabella Nunes, o comportamento do comércio varejista brasileiro nos últimos três meses mostra perda de ritmo. "O varejo recua após dois meses de estabilidade, é só essa observação já mostra a perda de ritmo no varejo em 2019. A queda foi disseminada no varejo em abril, mas principal impacto foi do setor de supermercados (-1,8% em abril ante março). Os supermercados recuaram pelo terceiro mês seguido, acumulando uma perda de 3,4% no período", ressaltou Isabella Nunes.

Segundo a pesquisadora, as vendas dos supermercados têm sido afetadas tanto por um aumento nos preços dos alimentos consumidos no domicílio quanto pela estabilidade da massa de rendimentos dos trabalhadores. Ainda assim, o setor consegue acumular crescimento de 2,0% nas vendas em 12 meses, um dos segmentos com melhor desempenho, por vender bens essenciais. 

"A atividade econômica em baixa, a alta capacidade ociosa, o desemprego chegando a 13 milhões de pessoas, e mesmo o emprego gerado é na informalidade. Tudo isso faz com que a massa de rendimentos não cresça de forma suficiente para estimular o consumo, que fica restrito às necessidade mais básicas, como supermercados e setor farmacêutico", enumerou Isabella. 

Índice de média móvel trimestral do varejo cai 0,2% em abril 

O índice de média móvel trimestral das vendas do comércio varejista restrito teve queda de 0,2% em abril de 2019, divulgou há pouco o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

No varejo ampliado, que inclui as atividades de veículos e material de construção, o índice de média móvel trimestral das vendas registrou elevação de 0,2% em abril. 

IBGE revisa vendas do varejo em março ante fevereiro de +0,3% para +0,1% -

O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) revisou o resultado das vendas no varejo  em março ante fevereiro, de uma alta de 0,3% para um avanço de 0,1%. O dado de fevereiro ante janeiro foi revisto de estabilidade (0,0%) para -0,1%, enquanto o resultado de janeiro ante dezembro de 2018 passou de 0,5% para 0,6%. A taxa de dezembro de 2018 ante novembro saiu de -2,2% para -2,5%. Os dados são da Pesquisa Mensal de Comércio referente a abril de 2019. 

Vendas do varejo estão 7,3% abaixo do pico registrado em outubro de 2014 

"Tem um longo caminho a ser percorrido para que o varejo retorne às taxas alcançadas em 2014. O ano de 2019 ainda não contribuiu para esse crescimento, na medida em que o varejo teve crescimento zero em relação ao patamar de dezembro de 2018", ressaltou Isabella Nunes, gerente da Pesquisa Mensal de Comércio do IBGE.

No varejo ampliado, que inclui as atividades de veículos e material de construção, o volume vendido em abril estava 10,8% aquém do patamar recorde alcançado em agosto de 2012. 

Cinco das oito atividades do varejo têm resultados negativos em abril ante março

Cinco entre as oito atividades do varejo registraram perdas nas vendas em abril ante março, segundo os dados da Pesquisa Mensal de Comércio divulgados hoje pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Na média global, houve redução de 0,6% no volume de vendas.

A redução de 1,8% nas vendas de Hipermercados, supermercados, produtos alimentícios, bebidas e fumo deu a maior contribuição para a queda global, seguida pela perda de 5,5% na atividade de Tecidos, vestuário e calçados.

Os demais recuos ocorreram em Artigos farmacêuticos, médicos, ortopédicos, de perfumaria e cosméticos (-0,7%), Outros artigos de uso pessoal e doméstico (-0,4%) e Equipamentos e material para escritório, informática e comunicação (-8,0%).

Por outro lado, houve avanços em Móveis e eletrodomésticos (1,7%), Combustíveis e lubrificantes (0,3%) e Livros, jornais, revistas e papelaria (4,3%).

Quanto ao comércio varejista ampliado, que inclui as atividades de veículos e material de construção, o volume de vendas ficou estável (0,0%) em abril ante março. As vendas de Veículos, motos, partes e peças subiram 0,2%, enquanto o setor de Material de construção teve aumento de 1,4%. 

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