Helvio Romero/Estadão
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Vendas do varejo caem 0,6% em agosto, diz IBGE

Comércio varejista acumula retração de 6,6% no ano e recuo de 6,7% em 12 meses; para o IBGE, recuperação dos indicadores de confiança ainda não se traduziu em vendas

Vinicius Neder, O Estado de S.Paulo

18 de outubro de 2016 | 09h52

RIO - As vendas do comércio varejista caíram 0,6% em agosto ante julho, na série com ajuste sazonal, informou o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O resultado veio dentro do intervalo das estimativas dos analistas ouvidos pelo Projeções Broadcast, que esperavam desde  -1,70% a +0,40%, com mediana de -0,50%. 

Na comparação com agosto de 2015, sem ajuste sazonal, as vendas do varejo tiveram baixa de 5,5% em agosto de 2016. Nesse confronto, as projeções iam de queda de 7,00% a recuo de 3,60%, com mediana negativa de 5,00%. As vendas do varejo restrito acumulam retração de 6,6% no ano e recuo de 6,7% em 12 meses. Quanto ao varejo ampliado, que inclui as atividades de material de construção e de veículos, as vendas caíram 2,0% em agosto ante julho, na série com ajuste sazonal. 

Segundo a gerente da Coordenação de Serviços e Comércio do IBGE, Isabella Nunes, a recuperação dos indicadores de confiança ainda não se traduziu em vendas. A pesquisadora lembrou que as pesquisas de confiança medem a percepção sobre o futuro. "O futuro a Deus pertence", disse Isabella. Segundo o IBGE, em agosto, o volume de vendas no varejo ficou 12,9% abaixo do pico registrado em novembro de 2014. Isabella não vê elementos nos dados de agosto para afirmar que o pior já passou para o setor varejista. 

Na comparação com agosto de 2015, sem ajuste, as vendas do varejo ampliado tiveram baixa de 7,7% em agosto de 2016. Nesse confronto, as previsões eram de retração de 4,30% a 8,30%, com mediana de baixa de 6,20% em agosto ante o mesmo mês de 2015. 

Até agosto, as vendas do comércio varejista ampliado acumulam queda de 9,3% no ano e recuo de 10,2% e 12 meses. 

A maior queda foi verificada na atividade de venda de equipamentos para escritório e informática, com tombo de 5,0% em agosto ante julho. Na contramão, as vendas nos supermercados, que representam o maior peso no varejo restrito, subiram 0,8%.

Na varejo ampliado, a venda de veículos tombou 4,8% em agosto ante julho. O IBGE também revisou a queda na venda de veículos em julho ante junho, de -0,3% para -1,4%, contribuindo para a revisão de -0,5% para -1,0% no varejo ampliado como um todo. 

Supermercados. A alta de 0,8% nas vendas dos supermercados em agosto ante julho, na contramão da queda de 0,6% no varejo restrito, foi um movimento de acomodação, explicou a gerente do IBGE. Segundo a pesquisadora, o quadro de inflação pressionada, desemprego em alta e juros elevados, que segue inibindo o consumo, leva as famílias a ajustarem seus orçamentos, adiando gastos, sobretudo com bens duráveis.

"As famílias evitam todo o consumo que podem postergar ou substituir. Daí sobram recursos para uma atividade que não dá para postergar, que é supermercado", afirmou Isabella, em entrevista coletiva.

De acordo com Isabella, esse movimento de acomodação ocorre desde maio. Como os dados divulgados hoje são de agosto, ainda não há nenhum efeito relacionado ao alívio da inflação, mais concentrado em setembro, disse a pesquisadora.

Isabella chamou atenção ainda para o fato de que, na comparação com agosto de 2015, as vendas dos supermercados caíram 2,2%. É a atividade que mais contribuiu para o recuo de 5,5% nas vendas do varejo restrito nessa base de comparação. "Embora tenha movimento de acomodação na margem, porque as famílias têm disponibilidade maior de recursos, na comparação com agosto de 2015, a queda é de 2,2%", disse Isabella.

Revisões. O IBGE revisou o resultado das vendas no varejo restrito em julho ante junho de -0,3% para -0,6%. Também houve revisões em junho ante maio (de +0,3% para +0,2%) e em maio ante abril (de -0,8% para -0,9%). No varejo ampliado, que inclui as atividades de veículos e material de construção, as variações com ajuste sazonal foram revisadas em julho ante junho, de -0,5% para -1,0%, e em junho ante maio, de -0,2% para -0,3%.

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